15/02/2022 às 15h16min - Atualizada em 15/02/2022 às 15h16min

Estilos de Cervejas Alemãs (Escola Cervejeira Alemã)

Jean Benetti - Sommelier de Cervejas
jean.benetti@bol.com.br
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“Quanta cerveja há na inteligência alemã?” Friedrich Nietzsche (1844 - 1900), filósofo alemão.
“Dê-me uma mulher que goste de cerveja e eu conquistarei o mundo!” Kaiser Wilhelm II (1859 - 1918), último imperador alemão e rei da Prússia.
 
Na 1ª coluna de dezembro, falamos sobre as Escolas Cervejeiras, que concentram os estilos de cerveja em 4 grandes grupos, seguindo as tradições das regiões a que pertencem. Nas colunas passadas, falamos um pouco sobre as Escolas Inglesa e Belga e, hoje, chegou a vez da Escola Cervejeira Alemã - que, além de cervejas da própria Alemanha, engloba também a República Tcheca, a Eslováquia, a Áustria, a Polônia e a Holanda - e seus principais estilos de cerveja.
 
A Alemanha e todos os países que compõem a Escola Alemã consideram a cerveja um personagem central de sua história; tanto assim que difundiram em diversos outros países a cultura da Oktoberfest, festividade que reúne danças, música, diversão e muita cerveja! Para a Escola Alemã, os locais mais comuns de se consumir a bebida são conhecidos pelo nome de Biergarten, e têm como principais características mesas e bancos longos e únicos, que são compartilhados por estranhos com o exato propósito de fazerem novas amizades, algo bastante comum para o espírito coletivo da cultura germânica.
Falando especificamente da Alemanha, o país é o maior produtor e consumidor de cerveja da Europa, possuindo em torno de 1.500 cervejarias e mais de 5.300 rótulos de cerveja. Normalmente, os moradores de uma determinada região são fiéis ao consumo de apenas cervejas produzidas nas redondezas, e toda cidade, por menor que seja, possui ao menos uma cervejaria. Até as grandes marcas, como Krombacher, Bitburger e Veltins, realizam a maior parte de suas vendas em um raio de 100 quilômetros de suas cervejarias.
 
A região onde mais se consome cerveja no mundo é a Baviera, no sudeste da Alemanha, com mais de 200 litros per capita por ano, seguida de perto pela República Tcheca, que é o país onde mais se consome a bebida (cerca de 140 litros per capita por ano). Aliás, o incentivo dos Tchecos à produção da cerveja - não por acaso, foi lá que surgiu, em 1842, na cidade de mesmo nome, Plzeň, na língua tcheca, o estilo mais famoso do mundo, o Pilsen - tem rendido a eles ótimos frutos, principalmente no turismo. Esse país encrustado no centro da Europa tem se mostrado como um dos destinos favoritos para os apreciadores de cerveja. Eu mesmo recomendo bastante!
 
Quanto aos estilos da Escola Alemã, eles são, em sua grande maioria, do estilo Lager, exceto pelas famosas cervejas de trigo, que são do estilo Ale. E, para os alemães, é quase uma religião respeitarem a antiga (revogada desde a década de 80) lei de pureza da cerveja Reinheitsgebot (1516), que exige a produção da bebida apenas com água, malte (não são permitidos outros grãos, como milho ou arroz), lúpulo e levedura. 
 
Vamos a alguns dos principais grupos e estilos da Escola Cervejeira Alemã:
. Pale Malty European Lager: grupo das cervejas maltadas e claras, que contém os estilos Helles Bock (Bock clara), Festbier (antes chamada de Oktoberfest e consumida no festival de mesmo nome) e a Munich Helles, criada pela cervejaria Spaten, que hoje é o principal estilo da maioria das cervejarias artesanais do Brasil. Em Poços de Caldas, temos como excelentes exemplos desse estilo de cerveja a Gonçalves e a Gorillaz Lager.
. Pale Biter European Beer: grupo das cervejas claras e com um pouco de amargor pronunciado, como a German Helles Exportbier, antes chamada de Dortmund Export, a Kölsch e a German Pils (Pilsen Alemã).
. Czech Lager: reúne as cervejas Tchecas Czech Premium Pale Lager, também conhecida como Pilsen Tcheca, a Czech Amber Lager, de coloração avermelhada, e a escura Czech Dark Lager.
. Amber Malty European Lager: grupo das cervejas maltadas de coloração avermelhada que agrega os estilos Dunkles Bock, da famosa e extinta Kaiser Bock, a Märzen e a Rauchbier, esta feita com malte defumado e de sabor que lembra muito bacon.
. Amber Bitter European Beer: reúne as cervejas avermelhadas um pouco mais amargas, como as Altbier e as Vienna Lager, esta de origem austríaca.
. Dark European Lager: reúne os 2 estilos alemães de coloração mais escura, o Munich Dunkel, que é marrom claro e quase não se sente o aroma tostado, e o Schwartzbier, que é mais escuro e tem mais destaque para o torrado do malte.
. Strong European Beer: é o grupo das cervejas com mais potência alcoólica, como o estilo Doppelbock, que pode ter até 10% de álcool, e o estilo Eisbock, fabricado a partir do congelamento da cerveja e da separação da água congelada do líquido “concentrado”, técnica que deixa a bebida muito mais potente (algumas cervejas alcançam até 14% de álcool).
. German Wheat Beer: agrupa os estilos Ale de trigo, como a Weissbier, de coloração clara, a Dunkles Weissbier, com um pouco de malte tostado e coloração escura, a Weizenbock, uma Bock de trigo e bastante alcoólica, e a Roggenbier, que, apesar de pertencer ao grupo, leva em sua receita o centeio no lugar do trigo.
 
Outros estilos Ale com adição de trigo que têm feito a cabeça dos brasileiros recentemente são aqueles ácidos, como o Berliner Weisse, que, depois de pronto, pode ser acrescido de uma mistura com xarope de frutas, o Gose, que, além de acidez, possui sal marinho em sua receita (única exceção à Reinheitsgebot), e o Lichtenhainer que é um estilo ácido defumado.

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