28/01/2022 às 15h55min - Atualizada em 28/01/2022 às 15h55min

Estilos de Cervejas Belgas (Escola Cervejeira Belga)

Jean Benetti - Sommelier de Cervejas
jean.benetti@bol.com.br
O sommelier de cervejas Jean Benetti no famoso bar Delirium
“Na Bélgica os magistrados têm a dignidade de príncipes, mas os cervejeiros são reis.” - Emile Verhaeren (1855 -1916), poeta belga.
“Do suor do homem e do amor de Deus veio a cerveja ao mundo.” - Saint Arnulf de Metz (582 - 640), santo padroeiro da cerveja e venerado pelos belgas.
 
Na primeira coluna de dezembro falamos sobre as Escolas Cervejeiras, que dividem os estilos de cerveja em 4 grandes grupos, seguindo as tradições das regiões que os criaram.  Na coluna passada falamos um pouco sobre a Escola Inglesa, e hoje vamos falar da Escola Belga - que, além da Bélgica, abrange o norte da França e parte da Holanda - e seus principais estilos de cerveja.
A Bélgica é conhecida como o “paraíso das cervejas”, título que vem da alta sofisticação e enorme variedade de estilos disponíveis no país. Os belgas são conhecidos como os “mestres da harmonização”, pois promovem variações que, geralmente combinando a bebida com os mais diversos e deliciosos pratos da culinária local (muitos deles contendo cerveja também nas suas receitas), sempre desafiam os nossos paladar e olfato. Tanto assim que a cultura cervejeira belga foi nomeada Patrimônio Intangível da Humanidade pela Unesco, em 2016.
 
A produção de cerveja, na Bélgica, é uma tradição milenar que se perpetua, hoje, nas mais de 20 abadias produtoras de cerveja e nos 6 mosteiros trapistas (dos 11 existentes no mundo).
A atenção e o cuidado que os belgas dispensam à cerveja também são observados no ritual de apreciação da bebida: nos bares e restaurantes daquele país, cada marca de cerveja belga faz questão de ser servida na sua taça própria, desenvolvida sob medida para melhor exaltar as suas peculiaridades, com isso, valorizando a experiência do degustador.
 
As cervejas da Escola Belga, sejam elas importadas da Bélgica ou feitas por cervejarias de nossa região, são facilmente encontrados no Brasil. Vamos conhecer um pouco sobre alguns dos principais grupos e estilos:
 
Belgian Ale: grupo que abrange os estilos belgas altamente aromáticos, maltados e equilibrados. Integram esse estilo as Witbier: de coloração clara, muito comuns no Brasil, feitas de trigo e, geralmente, com coentro e casca de laranja nas suas receitas; as Belgian Pale Ale: que são de coloração cobre, maior dulçor do malte e são levemente frutadas e picantes; e as Bière de Garde: estilo francês, de coloração que varia do dourado ao castanho, com alta carbonatação (gás e espuma) e paladar bastante seco.
Outro grupo da Escola Belga é o Strong Belgian Ale, que se caracteriza por cervejas claras, também com bastante carbonatação, amargor ligeiramente pronunciado e alto teor de álcool. Esse grupo abrange os estilos Belgian Blond Ale, Saison e Belgian Golden Strong Ale (este, ainda mais alcoólico). Os últimos dois estilos estão sendo fabricados por muitas cervejarias brasileiras.

Trappist Ale: grupo que reúne os estilos mais fabricados pelos mosteiros e abadias. Em geral, são cervejas muito carbonatadas, refermentadas na garrafa, com robusto sabor da levedura. Fazem parte desse grupo os estilos Trappist Single: menos alcoólicas, compondo parte da refeição diária dos monges; Belgian Dubbel: complexas, mais alcoólicas, mais escuras e com sabor de malte, nozes, chocolate e leve torrado; as Belgian Tripel: as mais claras do grupo, também alcoólicas, cítricas e com leve amargor; e as Belgian Dark Strong Ale (que também compreendem as Quadrupel): que são uma versão das Belgian Dubbel, porém ainda mais alcoólicas e encorpadas.
European Sour Ale: grupo que contém um estilo alemão e outros propriamente belgas. Os estilos Flanders Red Ale, Oud Bruin, Lambic, Gueuze e Fruit Lambic (de que já tivemos oportunidade de falar em colunas anteriores) são ácidos, alguns de guarda, e o Fruit Lambic se caracteriza por levar frutas em grande quantidade na sua composição. Recentemente, o primeiro estilo genuinamente brasileiro, “Catharina Sour”, foi adicionado a esse grupo.
Outro estilo recente que tem feito sucesso, principalmente no Brasil, pelos adoradores de IPA, é o Belgian IPA, que acaba sendo uma mistura de estilo americano com belga. Esse estilo de cerveja é obtido preparando-se uma American IPA com fermento belga, que tem como característica principal um fermento mais frutado e de pouca acidez, ou adicionando uma boa carga de lúpulo americanos em uma Belgian Tripel tradicional. Op uw gezonheid!



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