Moro em Águas da Prata há cinco anos, mas, como todo sanjoanense, frequento o simpático lugarejo desde sempre. Movimento intenso em feriados, finais de semana e quando há algum evento eu frequentemente testemunhei. Mas nunca, jamais, nos meus cansados 56 anos, vi algo sequer parecido com a apoteose do último sábado e domingo. Um renascimento?
O 1º Festival do Café e Gastronomia de Águas da Prata mostra que desenvolvimento também se faz ocupando espaços públicos com inteligência, criatividade e afeto. Ao reunir produtores rurais, artesãos, pequenos empreendedores, chefs da região e artistas locais, a iniciativa fortalece a economia, incentiva talentos e reafirma as vocações de uma cidade que já se destaca pelo turismo, pelo café de qualidade e que agora também começa a escrever uma bela história no universo dos vinhos.
Mais do que uma programação gastronômica, o encontro promove conexões, movimenta Águas da Prata, atrai visitantes e desperta orgulho em quem vive aqui. Tudo isso embalado por boa música, energia realizadora e pela certeza de que, quando comunidade, entidades, iniciativa privada e poder público se unem em torno de um projeto bem concebido, todos ganham.
E uma menção pessoal mais do que justa: Augusto Pancini. Idealizador do festival, foi quem transformou a ideia em realidade. Costurou parcerias entre agentes públicos e privados, aproximou pessoas e instituições que nem sempre dialogavam, mobilizou patrocinadores e abriu espaço para que produtores, artesãos e pequenos empreendedores fossem protagonistas. Fez política com P maiúsculo: a política da construção, da articulação e da convergência em torno de um objetivo comum.
Durante todo o festival, Pancini circulou incansavelmente pelos espaços do evento, recebendo pessoas, resolvendo imprevistos, conferindo detalhes e garantindo que tudo acontecesse da melhor forma possível. Sei que ele é avesso aos holofotes, mas seria injusto falar do êxito desta primeira edição sem reconhecer seu papel central como concebedor e realizador. O festival nasceu de um bom propósito, mas foi sua capacidade de reunir pessoas, construir consensos e fazer acontecer que transformou esse sonho em algo concreto.
BALANÇO - De acordo com a organização, o evento reuniu mais de 40 expositores de artesanato, sobremesas e empreendimentos locais, além da participação de seis fazendas produtoras de café de Águas da Prata, duas vinícolas e diversos estabelecimentos de alimentação. Ao todo, foram mais de 20 horas de música e arte, com apresentações, oficinas e exposições que movimentaram todos os cantos do Festival.
Além da programação artística, os visitantes também participaram de atividades como a Coffee Party, passeio ciclístico pelos cafezais, Cozinha Show do Sebrae e conheceram de perto o trabalho de produtores rurais, artesãos e empreendedores do município.
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