Idealizado pelo IFSULDEMINAS e pela UNIFAL-MG, centro tem o objetivo de fortalecer a pesquisa científica, a inovação tecnológica e o monitoramento ambiental ligados à exploração de minerais críticos no Sul de Minas Gerais
Pesquisadores da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) apresentaram ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a proposta de criação do Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras (CITAR). A iniciativa foi apresentada à ministra Luciana Santos e tem como objetivo fortalecer a pesquisa científica, a inovação tecnológica e o monitoramento ambiental relacionados à exploração de minerais críticos no Sul de Minas Gerais.
Há cerca de três anos, o termo “terras raras” passou a fazer parte do cotidiano de Poços de Caldas e região, marcando uma nova etapa da vocação mineral do município. A proposta do CITAR surge justamente para responder a um dos principais desafios da atualidade: como transformar a riqueza mineral em desenvolvimento econômico sustentável, agregando conhecimento, inovação e geração de valor local.
O centro pretende reunir universidades, instituto federal, parque tecnológico, empresas, startups, poder público e organismos de fomento em uma rede de colaboração voltada à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à formação de profissionais especializados. A integração entre essas instituições é considerada fundamental para que a região consolide uma cadeia produtiva baseada no conhecimento e na inovação.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o tema possui relevância estratégica para o país. “Nós não podemos ser mais apenas produtores de commodities. Nós precisamos ter uma indústria robusta, nós precisamos ter ciência e tecnologia, nós precisamos ter patentes e, acima de tudo, nós precisamos garantir que as nossas riquezas fiquem com o povo brasileiro”, afirmou.
O CITAR possui potencial para atuar em áreas decisivas, como monitoramento da qualidade do ar, recursos hídricos, biodiversidade, solos, hidroquímica, ecologia, metagenômica, desenvolvimento de tecnologias para mineração sustentável e processamento mineral. O centro também poderá apoiar decisões públicas e privadas por meio da produção de dados técnicos, pesquisas independentes e conhecimento desenvolvido no próprio território.
A proposta está alinhada às iniciativas do Governo Federal voltadas ao fortalecimento da soberania tecnológica nacional. Em maio, o MCTI lançou o Grupo de Trabalho de Inovação para o Setor Mineral (GT Soberania Tecnológica Nacional), responsável por elaborar o Programa Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Extensionismo Tecnológico e Inovação para o Setor Mineral (Programa Inova+Mineral).
Durante o lançamento do grupo, a ministra destacou a importância estratégica dos minerais críticos. “A demanda global por minerais críticos e estratégicos cresce com a transição energética, com a digitalização da economia e com novas tecnologias que dependem cada vez mais desses insumos. Por isso, quando falamos de minerais estratégicos, estamos falando também de soberania, de desenvolvimento e do lugar que o Brasil quer ocupar no futuro”, declarou.
O Brasil possui a terceira maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas distribuídas entre os estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo. Minas Gerais abriga uma das maiores jazidas do mundo, localizada no Planalto de Poços de Caldas, que abrange os municípios de Poços de Caldas e Caldas.
As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética. Esses minerais são utilizados na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, baterias, sistemas de comunicação, dispositivos médicos e diversas tecnologias estratégicas.
Para Poços de Caldas, a criação do CITAR representa a oportunidade de avançar em uma agenda econômica mais sofisticada, deixando de ser reconhecida apenas como um território de extração mineral para se consolidar como um polo de ciência aplicada, inovação, desenvolvimento tecnológico e novos negócios, contribuindo para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da economia regional.