Memórias nórdicas

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O colunista, Laurinho e Anton: sorrisos tranquilos poucos minutos antes do impacto causado pelo cardápio

Pizzaria 7 x 1 Lauro 

Era junho de 2010. Estávamos na Noruega visitando o país e revendo as famílias que hospedaram Laurinho durante o período de intercâmbio, alguns anos antes. Para não melindrar nenhuma das três casas que o acolheram, optamos por nos alojar no apartamento de Anton Beck, figura central na estada do meu filho naquela gelada terra nórdica: ele, Anton, foi o rotariano escalado para ser o conselheiro do jovem sanjoanense, rebento deste escrevinhador.

No centro de Lillehammer, local da morada de Anton, circulávamos com desenvoltura sem precisar do carro para nada. A bela cidade, próxima de Oslo, sediou os Jogos Olímpicos de Inverno em 1994.

Naquele fim da primavera europeia, a Copa do Mundo começava na África do Sul. Deixamos livre o dia 15, estreia do Brasil contra a Coreia do Norte.

Desejando retribuir a gentileza de nosso hospedeiro, convidei-o para assistir ao jogo numa pizzaria nos arredores do apartamento. Uma hora antes do apito inicial, nos aboletamos à mesa e pedimos chopes em parrudos copos.

Laurinho, discretamente, alertou-me:
- Você viu o cardápio?

Estupefato fiquei ante os preços ali cobrados. Estava vivendo na pele o quão caro é a Noruega, mas aquela pizzaria extrapolava muito o que já era dolorido. Não vou me lembrar exatamente, mas posso afirmar que duas pizzas e alguns chopes, nada exagerado, custariam fácil uns R$ 2.500,00.

Sorrateiramente, com a concordância do generoso Anton, piedoso do meu bolso minguado, pagamos uma fortuna por quatro chopes, saímos da cantina e voltamos ao conforto do sofá dele para ver o Brasil vencer a Coreia do Norte por 2 a 1.

 

Pinho Sol norueguês

Ainda na viagem de 2010. Depois de uma fantástica visita ao parque Vigeland, em Oslo, precisávamos de um toalete. Anton, nosso cicerone, colocou algumas coroas norueguesas para liberar o acesso a um xixizinho de alívio. Ele foi o primeiro a usar aquele moderno sanitário-cabine.

Quando saiu, Anton não deixou a porta fechar. Disse para Josi usar o banheiro sem pagar novamente - se a porta trancasse, mais algumas coroas seriam necessárias para outro acesso. Josi, sem entender direito, acatou a sugestão.

Ao cerrar a porta, jatos de água e desinfetante passaram a higienizar o toalete automaticamente. Resultado: algumas coroas norueguesas foram poupadas, mas Josi passou o resto do dia com os tênis e as barras da calça exalando um persistente aroma de Pinho Sol norueguês.

Nota do cronista: embora tenha construído a vida na Noruega, o saudoso Anton Beck era dinamarquês de nascimento. Dizem os noruegueses que os vizinhos da Dinamarca não são tão regrados quanto eles. Explicado está o “jeitinho” dado por Anton para economizar no banheiro do parque Vigeland.

 

Gorro infantil

A Estrada do Atlântico (Atlanterhavsveien), na Noruega, é uma rota cênica de 8,3 km que liga o continente à ilha de Averøy. A mais famosa de suas oito pontes é a Ponte Storseisundet, conhecida mundialmente pela curva dramática e pela ilusão de ótica que dá a sensação de mergulhar no oceano.

Pois bem, saímos de Lillehammer numa agradável tarde de primavera para visitar a famosa ponte. Ao chegarmos ao ponto de observação, fomos recebidos por um vento tão forte quanto gelado. Nossas roupas não eram adequadas para um clima tão nordicamente hostil. Permanecer ali por mais do que alguns minutos fora do carro seria fisicamente impossível, mas eu não queria perder a oportunidade de registrar o lugar.

Para atenuar o desconforto, comprei o único gorro disponível na loja de souvenirs: um modelo tamanho P estampado com a bandeira norueguesa.

A imagem não foi das mais charmosas, mas o minúsculo gorro no meu cabeção não me impediu de apreciar a beleza e a engenhosidade daquela primorosa obra de engenharia.

whatsapp-image-2026--133122.jpeg A ponte não aparece na imagem do colunista e seu infame gorro infantil

 

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