Loucura do Lucão

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Lucão e Kátia: sensatez na vida e Loucura na Baguete

As mídias vulcânicas anunciaram maciçamente o acepipe vencedor do festival Comida di Buteco de Poços: Loucura na Baguete, do Buteco do Lucão. Gostei do nome tresloucado e jamais ouvira falar da taberna em questão.

Curiosidade culinária e gula são grandes estímulos para este roliço escriba. O frio não me assusta, tampouco a segunda-feira. Subimos a Poços sob 15°C, pois prêmio gastronômico, para mim, não é notícia que se lê - é novidade que se devora.

Ou, ao menos, foi esse o pretexto que arranjei para sair de casa em busca do sanduba que anda provocando frisson entre jurados, clientes e botequeiros.

Ao chegar ao estabelecimento, conhecemos a história de Lucas Alexandre da Silva, 40 anos, o Lucão. A vontade de comandar um boteco nasceu cedo, aos 15, quando ainda vivia em Palmeiral e trabalhava na roça. A vida, porém, tratou de impor desvios ao roteiro. Veio para Poços em busca de oportunidades, casou-se, teve duas filhas e carregou consigo essa obstinação empreendedora.

Depois de longo período como funcionário da Ambev, percebeu que estava próximo de transformar o projeto em realidade. Com o dinheiro da rescisão, abriu seu primeiro negócio, em 2013. Tudo corria bem até que a pandemia desmontou planos, comprometeu as finanças e abalou a vida pessoal. Aquilo que parecia consolidado ruiu.

Mas Lucão não é homem de desistir. Trabalhou como pintor, economizou novamente e recomeçou. Há três anos e meio inaugurou o atual Buteco do Lucão, no mesmo Jardim São Bento onde mora, bairro operário da Zona Sul poços-caldense. Nesse novo capítulo, contou com a parceria decisiva da esposa, Kátia Faria. Juntos atravessaram dificuldades, reconstruíram a vida e transformaram o balcão do botequim num projeto familiar.

A participação no Comida di Buteco também nasceu da persistência. Sempre quis disputar o concurso. Conversando com um vendedor, conseguiu as informações necessárias, inscreveu-se pela primeira vez e agarrou a oportunidade com unhas, dentes e avental.

O petisco campeão foi resultado de cinco meses de estudo, testes e cumplicidade. Lucas e Kátia experimentaram diferentes versões - no pão de hambúrguer, no pão francês - até chegarem à baguete de parmesão. A combinação da carne louca, do queijo, da rúcula, exigida pelo tema da edição, do molho de alho caseiro e dos temperos da casa revelou-se perfeita. Atraente na aparência e cuidadosamente construída em cada detalhe.

Quando ouviu o nome do Buteco do Lucão como campeão de 2026, a emoção foi daquelas difíceis de traduzir em palavras. Para ele, que trabalha geográfica e conceitualmente distante do circuito mais badalado da cidade, a vitória representa o reconhecimento de uma trajetória marcada por esforço, tropeços, recomeços e dedicação. E os reflexos já são visíveis: o movimento cresceu significativamente, turistas e moradores de cidades vizinhas passaram a peregrinar em busca da famosa iguaria na baguete.

No fim das contas, enquanto eu devorava a tal Loucura na Baguete, concluí que o principal ingrediente daquela receita talvez não fosse a carne louca, a baguete de parmesão ou o molho de alho. Talvez fosse mesmo a teimosia de um menino de Palmeiral que se recusou a abandonar um objetivo nascido ainda na adolescência.

Para quem também quiser provar a premiada loucura, o Buteco do Lucão fica na Avenida Jadir Vieira, 30, Jardim São Bento, em Poços de Caldas. A casa abre todos os dias para os peregrinos que querem converter curiosidade gastronômica em felicidade calórica.

 

 

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