Escolha
Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google
Não sei se digo ou me calo.
Se entro ou saio.
Se resolvo a vida… ou finjo que ela se resolve sem mim.
Não sei se fico ou parto,
se caso ou compro uma bicicleta -
até porque a bicicleta, sejamos justos,
nunca me cobrará nada, além de equilíbrio.
Penso em virar atleta.
Mas aí lembro do sofá,
e a gente entra num acordo silencioso
que só quem já desistiu de malhar entende.
Oscilo.
Entre acreditar e desconfiar,
entre chorar e sorrir -
às vezes tudo no mesmo dia,
com um intervalo para o café.
Já apostei quando devia passar.
Já passei quando era pra apostar.
Tenho um talento raro:
errar com convicção.
E sigo assim,
tentando entender se sou a presa
ou só alguém correndo em círculos,
ofegante,
sem saber quem começou a perseguição.
No fim, a verdade é simples - e meio cruel:
a gente não decide a vida com certeza,
a gente vai escolhendo no escuro,
tropeçando nas próprias dúvidas,
rindo pra não admitir o susto.
E quando percebe…
já escolheu.