Mídia e Política

Por
3 Min

Foto gerada por IA

Convivi, e ainda convivo, por livre escolha profissional (por isso não culpo ninguém), em dois ambientes onde a vaidade encontra terreno fértil para crescer: a comunicação e a política.

A telinha e o microfone, seja no rádio ou na TV, para citar apenas dois veículos, nos dão a sensação de sermos diferentes. O "glamour" da profissão - mera ilusão - pode, em maior ou menor grau, inflar o ego, principalmente daqueles que estão em início de carreira. Tive um aluno na faculdade que, mesmo antes de exercer a profissão, já se achava a última bolacha do pacote. Seu nome era Diego. Eu o chamava de Di-Ego, tamanha era sua vaidade.

Ao longo do tempo, a popularidade pode até ser alta, mas o salário, usualmente, é muito baixo. Assim, a ficha vai caindo e a realidade vai mostrando que estávamos "encantados" e "narcotizados" pela mídia. Criamos um personagem e acreditamos que ele era real. Porém, a cada carnê vencido, percebíamos que o preço da carne era muito maior do que a nossa possível audiência. Uns descobrem isso aos 30, outros aos 40. E há aqueles em que, embora a "vai-idade" tenha chegado, a vaidade ainda não partiu.

A política é outro ambiente onde o poder alimenta a vaidade, e esta se retroalimenta do poder. Por isso, fala-se tanto na famosa "mosca azul": quando alguém é picado pelo vírus da política, dificilmente se cura. Muitos, acredito, buscam a função pública com o propósito legítimo de servir à sociedade, especialmente aos mais necessitados. Contudo, existe um número cada vez maior de pessoas que parecem acreditar que os mais necessitados são elas próprias e seus familiares. A política, então, transforma-se em meio de subsistência e fonte de renda.

Outra verdade inquestionável é que o cenário político costuma ser um ambiente onde a falsidade é o oxigênio que muitos respiram, frequentemente sem qualquer constrangimento. Afinal, faz parte do jogo. "Fulano não é meu inimigo. Somos apenas adversários que estamos em lados opostos, mas queremos, cada um à sua maneira, o melhor para a população". Essa frase, com pequenas variações, foi repetida por diferentes homens públicos ao longo da história. Não é por outro motivo que a política é frequentemente comparada a um teatro, onde cada um representa um papel e ser mocinho ou bandido faz parte do mesmo roteiro. O sucesso de bilheteria será medido pelo número de votos obtidos nas urnas.

Existem ainda aqueles que iniciaram a carreira política com as melhores intenções, mas que, ao longo do tempo, "aprenderam" que, para sobreviver na arena pública, era preciso jogar o jogo, e não discutir se as regras eram lícitas ou não. Se não quer brincar, não desça para o playground.

A política e a comunicação continuarão sendo pilares de qualquer sociedade democrática. O desafio é impedir que a vaidade fale mais alto do que o compromisso com a verdade e com o interesse público, em ambos os setores. Enquanto isso não acontecer, seguiremos assistindo aos mesmos enredos, apenas com novos personagens - ou com os antigos vestindo outra roupagem.

 

 

*O Brand-News não se responsabiliza por artigos assinados por nossos colaboradores