Por que a pressa? Eu perguntei ao tempo. Tentativa inútil de fazê-lo parar por um instante. Ele não parou, nem respondeu.
Por onde anda aquele olhar incrível, apaixonante, que me fez eternizar o sonho? Mais uma vez, sem olhar pra trás, o tempo continuou em seu galope louco e não respondeu.
Por que a pressa? E quis perguntar outra vez. Desisti.
Eu estava diante do espelho. O espelho é a realidade do tempo. Então, na ausência de respostas, a saudade achega-se. Às vezes, melancólica. Às vezes, risonha, com algum deboche. Não seja tão sonhador. A realidade é matemática. É fria. É nua. É crua.
Mas, e o sabor dos lábios? E o perfume do corpo? E os frêmitos da carne? E finalmente, o espelho responde, pela opacidade do olhar cujo brilho o tempo levou.
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