17/08/2022 às 15h36min - Atualizada em 17/08/2022 às 15h36min

TV Cultura lança minissérie inédita sobre o Bicentenário da Independência

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Com estreia marcada para 7 de setembro, projeto terá 16 episódios
 
Em 7 de setembro de 2022, o Brasil celebra dois séculos de sua Independência. O fato histórico, repleto de contradições, dá origem ao novo projeto do cineasta e diretor de TV Luiz Fernando Carvalho, criado com exclusividade para a TV Cultura: ‘INDEPENDÊNCIAS’. A ideia do projeto surgiu na emissora a partir de pesquisa inicial realizada pelo jornalista José Antonio Severo.
Resultado de um trabalho colaborativo que levou um ano e meio para a pesquisa, criação e realização, INDEPENDÊNCIAS estreia justamente no dia 7 de setembro e terá 16 episódios, exibidos semanalmente até o final do ano.
 
‘Sempre acreditei na função das TVs abertas, especialmente a TV Cultura, que são concessões públicas, veículos fundamentais e de imensa responsabilidade, capazes de abraçar uma missão maior, que é a de não se restringirem simplesmente a seduzir telespectadores, mas, sim, caminhando de mãos dadas com educação, contribuírem na formação dos cidadãos”, conta Luiz Fernando Carvalho, cujo currículo reúne mais de 35 anos de uma carreira repleta de êxitos na televisão aberta e no cinema.
 
A minissérie foi desenvolvida por Luiz Fernando em parceria com o dramaturgo Luís Alberto de Abreu, com quem o diretor já realizou ‘Hoje é dia de Maria’, ‘Capitu’, ‘A Pedra do Reino’, entre outras. O projeto foi escrito por Luis Alberto, com roteiro de Paulo Garfunkel, Alex Moletta e Melina Dalboni. A equipe de colaboradores foi composta por Kaká Werá Djecupé, Ynaê Lopes dos Santos, Cidinha da Silva e Tiganá Santana. A tradução para o Kimbundu ficou a cargo do Prof. Niyi Monanzambi (UFBA).
 
A história que a História não conta
O projeto partiu da necessidade de se recontar o Brasil através de uma releitura que se convencionou chamar de Nova historiografia. A ideia central de Luiz Fernando Carvalho é reivindicar a participação de um enorme conjunto de saberes, culturas, subjetividades e personagens que foram postos à margem ou que, violentamente, foram apagados pela história oficial.
Entre estes desmoronamentos históricos, observa-se a importância do protagonismo feminino na Independência do Brasil, como o da própria Leopoldina, artificie central no processo da Independência. Surgem figuras como Maria Felipa, cuja participação foi referencial na luta pela independência da Bahia, e o Padre José Maurício, maestro negro da Corte Imperial, mas ausente dos registros tradicionais.
 
Na visão do diretor, a minissérie oferecerá aos telespectadores de todo o país a consciência de acontecimentos e personagens reais que até então se encontravam submersos, escondidos pelo manto de uma didática tida como versão absoluta pela visão eurocêntrica.
‘É uma escavação. Iremos escavando em busca do passado, reencontrando fantasmas nas salas do império, colonialismo, violência social, autoritarismo e escravidão. Fantasmas que, infelizmente, ainda se manifestam no presente como prática arraigada. Sem esta reflexão sobre a constante atualização do colonialismo histórico e suas estruturas de poder, me parece uma falácia pensarmos a ideia de um futuro, um país mais belo e justo para todos’, afirma Luiz Fernando.
 
Independência ou Golpe?
O desejo de falar sobre o Brasil do século XIX habita a criação de Luiz Fernando Carvalho há tempos. Ele já tratou da época em ‘Os Maias’ e ‘Capitu’ (TV Globo), mas enquanto a primeira se passava em Portugal, a segunda apresentava um conflito intimista. Desde então, o diretor buscava falar sobre esses primeiros anos de um século tão fundamental para entender o Brasil de agora.
‘Eu talvez possa afirmar que se trata de um trabalho atual, não de época. Nosso presente está repleto de passado. Me parece fundamental fazermos essa ponte entre nossas fundações e os desdobramentos que ocorreram nos séculos seguintes. O século XIX foi um período estrutural, iniciando avanços e tragédias com as quais lidamos até hoje. A história do Brasil sempre nos foi contada de forma romantizada, quando, na verdade, é trágica, bárbara, marcada por golpes e genocídios que precisam ser iluminados.

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