04/04/2022 às 15h37min - Atualizada em 04/04/2022 às 15h37min

Consumo de doces entre crianças aumentou 38% durante a pandemia

FONTE: VV4 Comunicação - FOTOS: Divulgação
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Um estudo encomendado pela Tetra Pak apontou que 38% das crianças consumiram mais doces durante a pandemia. Intitulada “O Universo da Lancheira”, e realizada pela Play Pesquisa, a empresa ouviu 720 crianças de 3 a 2 anos, e 1200 adultos de São Paulo, Recife, Fortaleza, Goiânia e Porto Alegre, entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021. 
Passando mais tempo em casa, da mesma forma que os pais admitiram que as crianças estavam consumindo alimentos mais saudáveis, por outro, também aumentaram o consumo de doces e guloseimas. O problema é que o aumento do consumo de doces desde o início da pandemia, quando todos estavam isolados em casa, podem ter consequências agora, quase dois anos depois. Isso porque com o hábito de comer doces já instalado, difícil é tirar da criança essa vontade de comer um docinho no dia a dia.
 
Para a odontopediatra Helenice Biancalana (foto), Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Ciências Médicas, da UNICAMP, especialista em Odontopediatria e Ortopedia Funcional dos maxilares, vice-presidente da Associação Paulista de Odontopediatria APO/ABOPED e professora de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da APCD - FAO, os hábitos alimentares da família são responsáveis pela qualidade e quantidade dos alimentos que a criança ingere. “Se os pais tiverem uma dieta rica em açúcar, carboidratos, sódio (sal), lipídios (gordura), muito provavelmente os filhos também terão. O problema é que o açúcar quando consumido em excesso é considerado um dos vilões para o desequilíbrio da saúde bucal. Isso sem contar os riscos de obesidade e doenças crônicas, como as cardiovasculares, diabetes e hipertensão”, afirma.
Segundo a especialista, os efeitos nutricionais responsáveis pelo início da formação dos dentes e do sistema estomatognático (face), requerem energia e nutrientes específicos para a sua fisiologia.  “Dessa forma, períodos de desnutrição prolongados durante a infância também podem levar a limitação do desenvolvimento de órgãos como o cérebro e as glândulas salivares, provocando diminuição do fluxo salivar, além de atraso no nascimento dos dentes de leite”, alerta. 
 
SEM DOCES E GULOSEIMAS ATÉ OS DOIS ANOS DE VIDA - Para promover uma saúde dentária desde o nascimento até a crianças maiores, a especialista orienta que nos primeiros 1.000 dias de vida do bebê (período que compreende os 270 dias da gestação até o segundo ano de vida), é de fundamental importância para o crescimento e desenvolvimento infantil, que os pequenos não consumam doces e nem alimentos industrializados.
É importante frisar que a alimentação que a mãe recebe durante a gestação possuem elementos que ajudam a constituir o desenvolvimento do paladar infantil. “Durante a amamentação no seio materno, a criança também entra em contato com essas referências em seus hábitos alimentares, além de receber nutrientes”, afirma. Por isso é tão recomendado que a criança não consuma açúcar nesse período. “Frutas e bebidas não devem ser adoçadas. Também não devem ser oferecidas preparações que tenham o ingrediente, como bolos, biscoitos, doces e geleias”, justifica.
 
AÇÚCAR ESCONDIDO - A especialista lembra que o açúcar também está presente em grande parte dos alimentos ultraprocessados, achocolatados, bebidas açucaradas, cereais matinais, gelatina em pó com sabor, mingaus instantâneos preparados com farinhas, guloseimas como balas, chicletes, pirulitos e chocolates, além de biscoitos e bolachas doces. “Alimentos ricos em açúcar, seja o de adição ou o que está presente nos ultraprocessados, apresentam uma composição nutricional desbalanceada e um maior teor energético, caracterizando um padrão alimentar de baixa qualidade nutricional”, alerta. “Como consequência, esse tipo de alimento pode levar ao ganho de peso excessivo, surgimento de placa bacteriana e cárie nos dentes, além de outras doenças associadas”, endossa. Por último, mas não menos importante, a especialista lembra que a presença dos sabores doces na infância contribui para a constituição do paladar que pede mais açúcar depois.

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