08/03/2022 às 17h07min - Atualizada em 08/03/2022 às 17h07min

Arte e luta pela vida!

FONTE E FOTO: Marcelo Vasconcellos Camillo
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Na tarde do último domingo, o maestro Agenor Ribeiro Netto regeu a Orquestra Jazz Sinfônica de São João da Boa Vista, junto com o Coral Eloin. O concerto, realizado no Teatro da Urca, teve renda revertida para o ator, professor e palestrante poços-caldense Roni Mocchegiani, que com a ajuda de amigos, familiares e pessoas solidárias “luta” pela vida e contra o relógio para se submeter a uma cirurgia no cérebro que terá o custo de R$ 120 mil.
Nesta matéria exclusiva para o Portal Brand-News, o empresário Marcelo V. Camillo, amigo e admirador do trabalho do maestro, descreve a emoção de ter participado desse momento
 
No final de tarde deste domingo, 6 de março, no Teatro da Urca, em Poços de Caldas, e com os ingressos totalmente revertidos em prol do artista Roni Mocchegiani - afim de que o mesmo possa realizar uma cirurgia para a retirada de um tumor cerebral -, por volta das 17h eu e meu pai, Odair Camillo, já nos encontrávamos confortavelmente sentados em nossas cadeiras à espera do início do espetáculo.
Antes disto, uma breve apresentação do que vinha a ser o real motivo daquela tarde/noite, seguida de um belo discurso do meu grande amigo jornalista e professor, Wiliam de Oliveira.
 
Cerca de 80 músicos adentraram ao Teatro no meio dos espectadores e foram aos poucos tomando os seus respectivos assentos.
Alguns ajustes de cordas e demais instrumentos, e o maestro Agenor Ribeiro Netto já conduzia os músicos, com a sua batuta, para a primeira entonação musical, “Aleluia de Handell”.
E não poderia ter sido uma escolha melhor, afinal depois de vários meses nesta pandemia, onde a classe artística, sem dúvida, foi uma das que mais sofreram, ali, enfim, estavam fazendo o que mais gostavam: uma emocionante aleluia.
 
“Viva La Vida”, do grupo Coldplay, foi a segunda música escolhida para emocionar quem vos escreve. Acertou em cheio, pois além do título do espetáculo, “Arte pela Vida”, ali estávamos todos “lutando” pela vida do Roni. Nada mais justo que tocar esta música. Além deste motivo, o que me emocionou muito foi o fato de a música ser uma das preferidas da minha saudosa mãe Lurdinha Camillo. Ela viveu a Vida intensamente, e sempre que ia me visitar eu colocava para ela escutar e dançávamos juntos!
 
Aleluia, vivemos a vida e somos vencedores, acho que foi nesta atmosfera de pensamento que o maestro Agenor iniciou a terceira música da noite, “We Are The Champions”, afinal ali todos nós éramos vencedores, estávamos vivendo a vida, Graças a Deus, Aleluia!
 
Um delicioso “Medley do Djavan” foi a quarta música escolhida para homenagear a nossa MPB. Assim como eu, acredito que todos cantaram juntos os maiores sucessos do músico.
 
Já coçando os dedos, chegou a hora de o maestro Agenor mostrar um dos seus talentos: além de reger a sua orquestra, foi a hora de colocar à tiracolo a sua pesada sanfona, entoando “Feira de Mangaio”, para o delírio dos amantes do forró. Sivuca, lá do céu, com certeza, aprovou.
 
Chamado para compor ao palco, Juninho pegou o microfone e cantou “Wutherings Heigths”, sucesso dos anos 80, de Kate Bush. Antes um pouco, o maestro avisou: ninguém conheceria a música pelo nome. Até que se começasse os primeiros acordes, confesso que nunca tinha escutado um agudo tão forte assim, impressionante a desenvoltura no palco, do cantor. Sem dúvida, acho que todos se lembraram dos bailinhos dos anos 80.
 
Eu, um amante do blues, fui presenteado com “Saint Louis Blues”, a sétima música da playlist. Com certeza, esta apresentação lotaria uma das mais famosas casas de espetáculo de New Orleans, e Louis Armstrong, também do céu, assim como eu, aplaudiria de pé. Foram mais de 5 minutos de puro blues, numa orquestra sinfônica com 80 músicos, sensacional!
 
Para o deleite dos amantes da tradicional música argentina, Lucas Cozzani surgiu do fundo da plateia, cantando “como um louco”, de Astor Piazzolla, “Balada para um Loco”, a oitava música escolhida. Numa apresentação impecável, voz/encenação/orquestra, foi de fazer inveja ao mais legítimo dos argentinos. Eu e meu pai fomos à loucura!
 
Chamado de volta ao palco, Juninho, com sua voz mais aguda, cantou como se Ney Matogrosso fosse, “Não Existe Pecado”.
 
Num momento de paixão, Agenor homenageou sua esposa Rita, na plateia, com uma das músicas que ela mais gosta: “Sailing”, de Rod Stewart - a décima música. Me lembrava dela nos meus anos de namoro com minha esposa, mais não imaginava que seria lindo e emocionante escutar esta canção por uma Orquestra Sinfônica. Foi totalmente diferente de tudo que eu já tinha escutado, sensacional. Se eu pudesse, pediria um “bis”.
 
Meu pai, que quase aplaudia de pé todas as músicas, quase se levantou na hora da entonação de “New York New York”, de Frank Sinatra, cantada brilhantemente por Pedro Bertozzi e André Sabino. E eu, que não fiquei atrás - pois esta era uma canção preferida dos meus pais, eles sempre dançavam juntos esta música -, me emocionei demais. Sem dúvida nenhuma, esta música é um ícone da música americana e mundial.
 
Microfones foram passados de mão em mão (com distanciamento), para cantar junto com a orquestra - que ora era regida por Agenor, ora pelo não menos famoso maestro Adjunto Jota Lobo, que nesta música e em outras da playlist, regeu brilhantemente “Como é Grande o Meu Amor por Você”. Alguns “pés de valsa” se atreveram a arriscar um solo, eu quase cheguei a pegar o microfone, mas minhas mãos tremeram nesse exato momento...
 
Eu, que já estive em dois shows ao vivo da banda Pink Floyd, ter escutado “Another Brick In The Wall” de uma orquestra sinfônica, foi praticamente a mesma sensação.
 
Agradeço a singela homenagem do maestro, que me ofereceu esta música que tanto gosto. Um momento incrível, o realismo, o solo de guitarra, o coral, foi sensacional.
 
Guardado as devidas proporções, assim como eu fui homenageado na música anterior, a banda britânica Queen também foi. “Bohemian Rhapsody” foi a canção escolhida. Cinquenta e oito horas de trabalho do maestro Agenor para escrever a partitura da música para 35 diferentes instrumentos, e que foi resumido em pouco mais de seis minutos do melhor som para os nossos ouvidos. Esta, que seria a décima sexta da playlist. A semelhança, a lembrança do filme homônimo, foi inevitável.
 
Com praticamente a metade dos quase 80 músicos vindos da cidade de São João da Boa Vista (SP), todos vindos com seus recursos próprios, gostaria de destacar também o Coral, que deu um verdadeiro show à parte; os demais membros da orquestra, residentes em Poços de Caldas; o pessoal do som e iluminação; os bailarinos e todos que se empenharam (e de graça) para que o espetáculo fosse do mais alto nível possível.
Acabou? Que nada, garanto e aposto que os músicos, mesmo sem remuneração, ficariam ali por horas e horas fazendo o que mais gostam de fazer: música para nossos ouvidos.
 
E se não bastasse tudo isto, ainda tinha o grand finale, o famoso Bis, onde mais uma vez o cantor Juninho voltou a palco para animar a festa com o famoso hit da Gloria Gaynor, “I Will Survive” - o famoso “levanta a bunda da cadeira e vem ser feliz” ou “é hora de soltar a franga”, que seguido de um medley dos anos 70 fez a plateia toda aplaudir de pé por vários minutos a magnífica apresentação. E eu me segurei na cadeira...
 
Uma torrencial chuva caía lá fora, ao final do espetáculo, o que foi bom para rever amigos, agradecer os músicos que passavam pelo local com seus instrumentos, e depois ir para casa de corpo e alma literalmente “lavados”.
 
Obrigado maestro Agenor, Deus lhe pague. Que o principal objetivo seja alcançado, a cirurgia do nosso amigo Roni.
 
Por Marcelo V. Camillo
 

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