26/11/2021 às 14h21min - Atualizada em 26/11/2021 às 14h21min

Projeto arte_passagem transforma prédio icônico de Oscar Niemeyer em "Galeria-Vitrine" no centro de São Paulo

FONTE E FOTOS: Agência Lema
Sonia Andrade, vídeo-instalação pública, 2002 | detalhe da instalação no Parque Lage, Rio de Janeiro, 200
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Artistas emergentes expõem trabalhos inéditos em ocupação artística urbana, ao lado dos renomados Leonilson e Sonia Andrade, em iniciativa que democratiza o acesso à arte e integra a plataforma Green Your City da Heineken®
 
Reconhecida por sua pluralidade, São Paulo movimenta grande parte da cena artística nacional e é considerada palco de importantes iniciativas do setor. A vocação da cidade para a cultura está também em ocupar - rompendo os limites físicos da arte exposta em museus - galerias, instituições e centros culturais, incorporando-a no dia a dia de quem vive em cada espaço da cidade. Neste contexto, conectando arte à paisagem e aos espaços públicos, o projeto arte_passagem, apoiado pela plataforma Green Your City da Heineken®, acontece com intuito de fortalecer a arte por meio de intervenções de artistas renomados e emergentes em espaços públicos. O endereço escolhido, localizado no centro de São Paulo, é o prédio icônico projetado por Oscar Niemeyer na década de 50, o Edifício Eiffel, que tem sua galeria comercial tomada por exposições a partir desta sexta-feira, 26 de novembro.

Criada pelos artistas Ilê Sartuzi, Matheus Chiaratti, Pedro Zylbersztajn e o curador João Paulo Quintella, a ocupação tem como principal objetivo democratizar o acesso à arte por meio de uma mostra pública e gratuita em um ponto central da cidade, que é também um cartão postal para os amantes da arquitetura modernista. Quem passa todos os dias pela Praça da República se surpreende com o formato inusitado do prédio - o último projetado por Niemeyer na capital paulista, que tem unidades residenciais com vista para a praça, cobogós redondos e uma galeria de lojas de acesso público. Ressignificando o espaço, o arte_passagem endossa sua vocação ao longo de três exposições e duas performances, que acontecerão até março de 2022, com intuito de estimular a (con)vivência do edifício histórico.

O nome do projeto não vem por acaso, mas sim por um desejo de impactar o maior fluxo de olhares em um ambiente fora do eixo cultural, onde acontece a vida cotidiana, que abriga bombonieres, salões de beleza, oficinas e demais comércios. Em meio às vitrines, ironicamente reunidas em uma chamada "galeria comercial", o espaço se torna propício para junção de arte e paisagem. "A ideia é que os projetos sejam conceitualizados e lidos em relação ao contexto onde estão inseridos, e vistos pelos transeuntes da cidade, no fluxo de suas passagens", explica o idealizador e artista Ilê Sartuzi.

Para a primeira intervenção, que fica em cartaz até 8 de janeiro, obras inéditas e comissionadas das artistas Ana Matheus Abbade e Agrippina R. Manhattan ocupam a vitrine. Carioca de São Gonçalo, Abbade apresenta uma série de intervenções instalativas que se originam de sua pesquisa com substâncias químicas, e que mais tarde se transformam em ativação performática com tecidos sendo tingidos na calçada em frente à galeria. Nascida também em São Gonçalo, o trabalho de Manhattan parte de uma preocupação sobre tudo que restringe a liberdade: palavras, pensamentos, normas e hierarquias. Pensando escultura como poesia e poesia como escultura, um letreiro de led marca a participação da artista.

Ainda, a consagrada Sonia Andrade, conhecida pelo pioneirismo da videoarte no Brasil, mostra na exposição um vídeo acompanhado de uma fotografia dos anos 2000, onde são sobrepostos espaços geográficos distintos que apontam para diferentes relações do olhar com o espaço público.
Como parte dessa primeira ativação desse espaço, a artista Fabiana Faleiros realizará uma performance na praça em frente à vitrine no dia 11 de dezembro. Até abril de 2022, o espaço recebe outras duas intervenções artísticas que permeiam temas da contemporaneidade, como afetividade e sexualidade sob um viés político, comportamento social, lugar de fala e padrões estéticos.


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