A Copa e a cozinha

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Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google

Impossível ficar apático. Basta andar pelas ruas, conversar com as pessoas ou ouvir o noticiário. O Brasil vive a fantasia da Copa do Mundo, e os malabares do circo parecem buscar, mais uma vez, desviar nossa atenção da realidade.

Contudo, o espetáculo não reduz a dor civil de um país que se desgoverna no cotidiano. É a corrupção crescente, a violência e as drogas tomando conta das ruas e, o que é pior, instituições políticas, legislativas e judiciárias sem a credibilidade necessária para minimizar os impactos sociais e econômicos que o país enfrenta.

Sim, claro, agitamos nossas bandeiras. Ficamos com os olhos grudados na televisão torcendo pela Seleção Brasileira ou, para aqueles que podem, ocupamos os estádios acompanhando a equipe canarinho.

Mas a Copa não esconde a cozinha.

Lá estão as pilhas de pratos e talheres sujos acumulados há anos. E, tão logo o evento mundial termine, voltaremos a pensar em quem poderá arrumá-la.

Ganhar a Copa do Mundo poderá nos deixar eufóricos e alegres por algum tempo, como uma droga que inebria e camufla a realidade. Perder a Copa nos fará voltar mais cedo para casa e dar de cara, novamente, com a nossa cozinha.

O brasileiro comum encontra-se dividido entre o entretenimento que a Copa proporciona - aliviando por alguns instantes suas dores - e os inúmeros carnês que precisa pagar, em meio à violência cotidiana e a uma saúde pública tão debilitada.

Chegará, então, o momento eleitoral. Embora seja um instrumento democrático para depositarmos nosso voto, seja de protesto ou de confiança em alguma ideia, partido ou candidato, ele tem se constituído, infelizmente, em mais um placebo para curar tantas doenças sociais. A descrença e o ceticismo parecem ter assumido o poder.

E se o resultado da Copa nos parece incerto - embora sempre existam os que garantem saber o desfecho -, o resultado das urnas também chega envolto em desconfiança, tornando difícil até mesmo reconhecer a existência de verdadeiros vencedores.

Enfim, todos juntos vamos: “Pra frente, Brasil! Salve a Seleção!”

A Copa chegou. Mas não nos esqueçamos de que a cozinha continuará nos esperando quando a festa terminar.

 

 

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