Turismo para todos

Por Hugo Pontes
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Turismo para todos
Foto: Brand-News

Nunca se discutiu tanto sobre turismo como se tem feitos nos tempos atuais na cidade de Poços de Caldas. Assim iniciávamos artigo, publicado nos jornais em outubro de 1999.

Falar sobre turismo em Poços é o mesmo que falar em corda na casa de enforcado. Mas muito se tem dito sobre o tema e - apesar de sabidos esforços e empenhos individuais - pouco ou nada se tem feito de concreto para que as coisas sejam mudadas.

A polêmica está colocada para o público, quer nas conversas do dia a dia ou nos meios de comunicação. Cada qual tem a sua razão e todos querem, com honestidade de propósito, um “plano” para o turismo do município.

Naquela época, o presidente do Sindicato Hotéis já dizia: “Somente uma mudança profunda pode salvar o turismo local.”

A frase acima, sob o ponto de vista teórico, era o reconhecimento de que havia uma preocupação com o quadro existente e tudo levava a crer que um bom estudo poderia conduzir a uma solução.

Pela Secretaria da Fazenda sabe-se o quanto o município arrecada com o turismo e, de posse dos dados, a administração pode planejar os investimentos no setor.

Necessário se faz que seja cobrada uma “taxa de hospedagem”, como acontecia nos anos de 1940 (será que o turista daquele tempo tinha mais poder aquisitivo?). Afinal, o turista chega à cidade e utiliza-se de toda a infraestrutura à sua disposição. E os hotéis e o comércio em geral sobrevivem em função do turista que hospeda, que vai às compras e utiliza os serviços.

É sabido, por todos que pesquisam o tema, que durante décadas o turismo local chegou ao apogeu e depois veio o declínio. Muitos se beneficiaram, principalmente os cassinos, cujos proprietários ganharam e muito mais exploraram do que deixaram algo em troca e, pior, levaram os lucros para serem investidos em outras cidades.

Há algum tempo a cidade sente o drama pelo desleixo e pelo descaso com que nossos recursos naturais e os nossos bens patrimoniais como os prédios e praças públicas são tratados e, por consequência, a própria sobrevivência do turismo.

E, mesmo a paisagem urbana, por causa da especulação imobiliária, perdeu e perde o que de melhor existe: morar em Poços de Caldas. Para tanto é só prestar a atenção na deterioração dos bairros, no trânsito caótico, nas ruas e calçadas esburacadas, a falta de arborização das ruas e praças, a sujeira das ruas, a coleta de lixo malfeita, a crescente verticalização e tantas outras mazelas.

Existe fórmula mágica para tratar o assunto? Por certo, não. Mas existe a inteligência humana e a competência técnica e bons gestores para pensar sobre o tema, salvando o que ainda temos, a fim de que se possa oferecer à população residente e ao turista o sentido do bem-estar que todos merecem, como acontecia em tempo nem tão distante, como nos anos de 1970.

Soluções para o turismo local existem. É preciso vontade. A Secretaria de Turismo tem profissionais competentes formados e especializados para planejar e dar soluções.

O tema está na pauta, em cada cabeça, cada esquina. Um cartaz na Praça Pedro Sanches pede sugestões. Um bom começo.

O que não pode existir é o improviso.

Um amplo debate, sem interesses particulares, precisa acontecer, a fim de que todos participem e daí se tire um plano para ser colocado em prática.

Turismo, serviços e comércio são para sempre, não é como a bauxita, o urânio e - agora - “terras raras”, que só dá “uma safra”.

É uma questão de sobrevivência.

                                         Por Hugo Pontes - Professor, poeta e jornalista
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