Amor e casamento

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Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google

Tenho lido diversas reflexões sobre os relacionamentos conjugais, muitas delas elaboradas por pessoas de notável inteligência. Em geral, chegam à mesma conclusão: o amor não resiste à rotina e à intimidade; desaparece à medida que passamos a conhecer profundamente o outro, com suas virtudes e limitações.

A afirmação costuma ser categórica:
- Quer acabar com o amor? Experimente o casamento.

Permito-me discordar, dentro dos limites de quem apenas busca compreender um pouco desse vasto e complexo universo humano.

Com frequência, essa perspectiva parte da ideia de que o amor é um estado permanente de encantamento, uma experiência extraordinária reservada àqueles que alcançaram algum tipo de plenitude emocional.

Poderíamos dizer que existe uma confusão, até compreensível, entre amor e paixão. No entanto, acredito que a questão seja mais profunda. Há uma corrente de pensamento que tende a reduzir os sentimentos humanos a uma interpretação estritamente materialista. Nessa visão, a fé torna-se uma utopia, o perdão uma conveniência e a esperança uma ilusão.

Sem a pretensão de definir aquilo que, por natureza, desafia definições, entendo que o amor é precisamente o que sustenta a fé, inspira o perdão e alimenta a esperança.

É ele que mantém firme aquilo que parece insustentável. Que acolhe o que aparenta ser inaceitável. Surge da própria complexidade da existência, pois reconhece a unidade que conecta todas as coisas. Manifesta-se na vida em suas mais diversas formas: na alegria e na dor, no prazer e na angústia, nas preocupações, nos desafios e nas conquistas.

Por essa razão, muitos afirmam que a amizade é apenas o que permanece de um amor que já existiu. Também nesse ponto discordo. A amizade representa o amadurecimento do amor. É nela que florescem o altruísmo, a cumplicidade genuína e o compromisso de construir uma vida em comum.

O amor não se resume à serenidade de um lago tranquilo. É também o mar agitado das tempestades. E justamente por atravessar tantas adversidades, aprende a seguir em direção à paz.

Assim, a vida a dois pode ser compreendida como uma longa jornada em busca da harmonia. Contudo, essa caminhada exige maturidade para reconhecer que haverá desafios ao longo do percurso, inclusive o de continuar acreditando no amor quando tantos já deixaram de acreditar nele.

 

 

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