Grupo Escolar David Campista: projetado para ser hotel, virou uma grande escola
Fachada atual da escola
Milhares de poços-caldenses passaram pelas salas de aula do Grupo Escolar David Campista. Eu fui um deles. Foi ali que muitos aprenderam as primeiras letras e deram os primeiros passos na vida estudantil.
O prédio tem uma história centenária. O edifício Sanatorium funcionou como um hotel de luxo destinado ao repouso e ao tratamento de saúde entre 1910 e 1911. Equipado com mobiliário importado da Europa, o empreendimento teve vida curta, devido à baixa demanda. Suas atividades foram encerradas após apenas seis meses de funcionamento. O Quisisana foi construído na mesma época, e tornou-se um dos mais luxuosos da América do Sul.
Em 1917, durante a administração do prefeito Francisco Escobar, o Governo de Minas Gerais incorporou o imóvel à rede estadual de ensino, inaugurando oficialmente o Grupo Escolar David Campista. O nome homenageia David Morethson Campista, importante político, jurista, professor e diplomata brasileiro do início da República.
Em 1922, o imóvel foi adquirido pelo Estado e passou a sediar a Escola Estadual David Campista.
Minha trajetória escolar começou em 1945, sob a orientação do professor português Adelino Tavares de Pinho. Permaneci com ele até a 3ª série, quando fui transferido para o David Campista para concluir o curso primário. Foi então que minha história naquele tradicional educandário realmente começou.
Até então, eu estudava em uma classe formada apenas por meninos. Neste, encontrei uma realidade diferente: havia meninas na sala e uma professora muito respeitada, Dona Lili (foto), responsável pela 4ª série. Naquela época, era costume os alunos se levantarem quando a professora entrava na sala.
Lembro-me também de que cantávamos o Hino Nacional com frequência. Foi nesse período que comecei a apreciar a poesia. Cheguei a declamar, diante dos colegas, trechos de obras como “Navio Negreiro”, de Castro Alves, e “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias.
Aqueles anos tinham um encanto especial. Foi também no David Campista que comecei a descobrir o universo feminino e a sonhar com meus primeiros romances.
Uma aluna, em especial, despertou meu interesse. Talvez tenha sido minha primeira paixão de infância. Um dia, na hora do recreio, contei a um amigo que gostava dela. Mais rápido do que eu, ele tomou a iniciativa primeiro. Anos depois, soube que os dois acabaram se casando. Como se costuma dizer: naquela história, eu dancei!
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