O presente embrulhado
Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google
Você sai às ruas e encontra algumas pessoas.
Velhos conhecidos. Novos desconhecidos.
E basta uma pausa um pouco mais longa para que o roteiro se repita:
alguém vai reclamar de alguém.
Pode ser da família.
Do amigo.
Do colega de trabalho.
Estamos brigando mais.
Nos desgastando mais.
Nos afastando mais.
Reclamamos de fulano…
que reclama de beltrano…
que, por sua vez, se decepciona com ciclano.
E assim seguimos, em cadeia, alimentando uma animosidade silenciosa -
mas cada vez mais presente.
“O mundo está perdido.”
“As pessoas estão egoístas.”
Com a régua na mão, julgamos tudo e todos.
Mas raramente nos medimos com o mesmo critério.
Falta empatia.
Sobram desavenças.
Dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem…
Talvez porque ele ame sem esperar a mesma medida de volta.
Nos grupos de WhatsApp, acordamos com dezenas - às vezes centenas - de mensagens.
Falam de Deus.
Desejam bom dia.
Mas, no excesso, o sentimento se dilui.
Vira hábito.
Automático.
Já não há nome.
Nem rosto.
Nem intenção.
Somos apenas mais um…
em uma multidão conectada -
e, ainda assim, distante.
sexta-feira, bebê.
E talvez a saída mais fácil seja desligar.
Ir para casa.
Assistir a um filme sobre o passado…
ou sobre o futuro.
Porque o presente…
ah, o presente…
esse a gente embrulhou para viagem.