Em defesa dos homens

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Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google

Outro dia, desses comuns, ouvi mais uma daquelas frases que parecem já vir prontas: “homem é tudo igual”. Confesso, dei um leve sorriso - não de concordância, mas de cansaço. Generalizações costumam ser preguiçosas. E, quase sempre, injustas.

Não tenho procuração para defender os homens. Cada um que responda por si. Mas é impossível ignorar o óbvio: existem homens e existem Homens. E não, não cabem todos na mesma gaveta.

Ainda hoje, em pleno século XXI, sobrevivem espécimes que acreditam piamente que mulher nasceu para servir. Para eles, o roteiro é simples: casa limpa, comida pronta, filhos cuidados e silêncio - muito silêncio. Autointitulam-se “machos alfa”, como se a virilidade fosse medida pelo volume da voz ou pelo tamanho da imposição. Herdaram isso de algum lugar - talvez de um pai, talvez de uma cultura que já deveria ter ficado no passado. São, infelizmente, protagonistas de estatísticas que envergonham qualquer sociedade.
Mas, felizmente, não são todos.

Há também aqueles que acordam cedo, enfrentam o trânsito, o chefe, as contas, a vida - e ainda encontram energia para cuidar. Cuidar da casa, dos filhos, do relacionamento, do cachorro e, quando dá, até de si mesmos. Não se sentem diminuídos por dividir tarefas. Não confundem autoridade com autoritarismo. Para esses, amar é somar. E, no fim do dia, tudo o que querem não é obediência - é um pouco de paz.

Do outro lado da história, também seria ingênuo pintar um retrato uniforme. Existem mulheres e Mulheres - e, de novo, não cabem todas na mesma bolsa.
Há aquelas que constroem junto. Que entendem o relacionamento como parceria, que dividem responsabilidades, que equilibram trabalho, maternidade e afetos com uma habilidade quase acrobática. São pontes, não muros.

Mas há também quem transforme a convivência em um campo minado. Críticas constantes, desvalorização, cobranças desmedidas. Relações que sufocam, que desgastam, que adoecem. Porque, sim, relações abusivas não têm exclusividade de gênero - têm, isso sim, ausência de respeito.

O curioso - ou preocupante - é perceber como, nos dias atuais, parece haver uma narrativa cada vez mais simplificada: de um lado, o homem como vilão por definição; do outro, a mulher como vítima incontestável. A vida, no entanto, raramente cabe em rótulos tão fáceis.

A realidade é mais complexa. Mais humana. E, por isso mesmo, mais incômoda.

Não se trata de negar injustiças históricas ou fechar os olhos para violências reais - que existem e precisam ser combatidas com firmeza. Trata-se, apenas, de evitar o erro oposto: o de trocar um preconceito por outro, uma caricatura por outra.

No fim das contas, talvez a velha ideia de equilíbrio ainda faça algum sentido. E quase ninguém é exatamente aquilo que os rótulos insistem em dizer.

Resumindo: nem todo Homem é culpado. Nem toda mulher é inocente.

 

 

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