Pornografia em grupos de WhatsApp: descontração ou banalização?

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Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google

Vamos ser francos: ninguém é santo. Na área da sexualidade, cada um sabe de si, seus limites, suas escolhas, seus valores. Assim, não há certo ou errado e o moralismo exacerbado (tudo é pecado) convive com o excesso de permissividade (tudo é permitido), e isto não é novo, acontece há milênios. Contudo, também não dá para fingir que tudo é normal.

O compartilhamento de pornografia em grupos de WhatsApp virou hábito tratado como piada, passatempo ou “descontração”. Vídeos circulam com naturalidade, sem filtro, sem contexto e, muitas vezes, sem qualquer reflexão. O problema é que isso não é neutro, inclusive porque os nossos filhos, sem filtros adequados, podem repetir os nossos exemplos.

A pornografia hoje, facilitada pela Internet, é um produto de consumo massivo, acessível a qualquer hora, por qualquer pessoa, inclusive jovens. Ao ser repetidamente consumida e compartilhada, ela deixa de causar estranhamento e passa a moldar percepções: do corpo, do desejo, do outro.
E é aqui que mora o risco.

Não se trata de afirmar, de forma simplista, que pornografia gera violência ou alimenta diretamente o crime. As causas da violência contra a mulher, do tráfico de drogas e da degradação social são muito mais profundas. Mas também não é razoável ignorar que a banalização do corpo e da intimidade contribui para um ambiente onde o outro pode ser reduzido a objeto.

Quando tudo vira consumo - inclusive o corpo humano - o respeito deixa de ser valor e passa a ser exceção.

Grupos de WhatsApp, nesse contexto, deixam de ser espaços inocentes. Ao normalizar o compartilhamento desse tipo de conteúdo, ajudam a construir uma cultura de superficialidade, de comparação e, em certos casos, de desumanização.

A pergunta, portanto, não é moralista. É prática: que tipo de comportamento estamos reforçando quando rimos, assistimos e repassamos?
Talvez o problema não esteja apenas na pornografia em si, mas na forma irresponsável com que ela é consumida e espalhada.

Educação sexual séria, diálogo aberto e senso crítico são caminhos mais eficazes do que proibir ou fingir que não existe.
Porque, no fim, não é sobre ser contra ou a favor.
É sobre responsabilidade individual e coletiva.

 

 

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