07/03/2024 às 16h42min - Atualizada em 07/03/2024 às 16h42min

Professora de Poços é finalista da Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio

FONTE E FOTOS: Daiane Delpupo - Mosaico - [email protected]
Silmara Louise da Silva, professora de matemática em cinco escolas de Poços de Caldas
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Olimpíada premia os melhores professores de Matemática do Brasil; Minas Gerais tem 4 finalistas concorrendo na categoria ouro. Os 10 professores com as melhores iniciativas no ensino da Matemática serão premiados com uma viagem de intercâmbio técnico e cultural à China
 
O Brasil ocupa hoje a 65ª posição no ranking de 81 países que participaram do último Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), divulgado no final ano passado, levando em conta os resultados da área de Matemática. Por outro lado, faz parte da elite da Matemática mundial (nível 5 da Internacional Mathematical Union - IMU), com pesquisadores e professores reconhecidos mundialmente.
 
A equação mal resolvida mobilizou um grupo de engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) na criação da Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMBr), no ano passado, e agora é chegada a hora de conhecer os vencedores nas categorias ouro, prata e bronze.
 
Um evento online - para facilitar a participação de inscritos de norte a sul do País - marca a divulgação dos resultados, no dia 27 de março. Ao todo, 67 professores foram premiados, dos quais 48 na categoria bronze, 9 na categoria prata e 10 na categoria ouro.
“Os 10 premiados na categoria ouro só serão conhecidos no dia 27. Entre os finalistas, há representantes de diversos estados do País, como Minas Gerais, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul”, explica Adauto Caldara, membro do Conselho Gestor da Olimpíada.
 
Como prêmio, os 10 professores da categoria ouro participarão em outubro de um intercâmbio técnico e cultural de 15 dias, em Xangai, na China, para conhecer o Centro de Educação para Professores da Unesco (TEC Unesco) na Universidade Normal da China, levando em conta que o país figura sempre entre os de melhor desempenho no PISA.
 
“Será uma oportunidade ímpar de imersão, aprendizado e troca de conhecimento. Nosso objetivo é reconhecer e valorizar iniciativas bem-sucedidas no ensino da Matemática em todo o País, de forma a disseminá-las, trabalhando para melhorar a qualidade do ensino da disciplina e, assim, contribuindo para alavancar a posição do Brasil no ranking mundial, a médio e longo prazo”, considera.
 
Depois da viagem de premiação, o próximo passo previsto é a realização de 50 workshops - cada um dos premiados ministrará cinco - em 50 cidades definidas em parceria com o Ministério da Educação.
 
O processo de avaliação dos professores participantes incluiu três etapas: uma prova, uma apresentação em vídeo ilustrando o trabalho desenvolvido em sala de aula e uma entrevista que teve, entre os avaliadores, o professor Cristovam Buarque, que é membro do Conselho Acadêmico da OPMBr.

AMOR À MATEMÁTICA - Filha de professora, Silmara Louise da Silva, 35 anos, viu em sua mãe um exemplo a ser seguido profissionalmente. Acompanhado, desde pequena, a rotina da mãe entre escolas e planejamentos de aula em casa, Silmara decidiu que seguiria seus passos. Hoje, é professora de matemática em cinco escolas de Poços de Caldas (MG).
Segundo ela, a rotina de estudos sempre fez parte da vida da família. Tanto a sua mãe quanto seu pai, que apesar de não ser professor, fez ensino médio completo e curso técnico na área de hidráulica, tinham prazer e paciência em ensiná-la.
 
“Meus pais sempre foram muito calmos, pacientes e didáticos ao me ensinar as coisas. Pegavam livros, dicionários e usavam muitos brinquedos educativos para me explicar sobre diversos assuntos que eu demostrasse curiosidade. Lá em casa, nunca teve brinquedo tradicional, como bonecas. Eu sempre brinquei aprendendo algum conteúdo, seja de matemática, ciências e outros assuntos”, conta.
 
Segundo Silmara, a metodologia usada pelos seus pais, ao sanar suas dúvidas e indagações da infância e adolescência, é a que ela aplica hoje em sala de aula, com seus alunos. “Meus pais me olhavam com muita empatia, sabendo que eu estava descobrindo o mundo e tinha muitas curiosidades. Então, eles realmente dedicavam seu tempo para me explicar sobre as coisas. Nenhuma dúvida minha era irrelevante para eles”, lembra.
 
“Quando eu perguntava o que era determinada coisa para os meus pais, eles não só explicavam com palavras, como mostravam figuras, liam o conceito em dicionário junto comigo e mostravam a aplicação daquela coisa no dia a dia. Eu absorvia muito melhor e isso aguçava ainda mais a minha curiosidade e o interesse em aprender. Hoje, faço exatamente assim com os meus alunos. Proporciono um ambiente leve, acolhedor, empático e democrático para que todos os alunos se sintam confortáveis em explanar e sanar suas dúvidas em sala de aula. Além disso, quando vejo que um aluno está com um pouco mais de dificuldade e não está conseguindo acompanhar o restante da turma, me disponibilizo para ensiná-lo individualmente nos intervalos ou após a aula”, conta.
 
É desta forma que Silmara se tornou a professora mais querida das escolas por onde passa e conseguiu reverter o aprendizado em Matemática nessas instituições. “O aluno quer ser ouvido e respeitado. Na minha sala de aula não tem hierarquia, tem respeito e empatia para a individualidade e realidade de cada estudante. Certamente, dá muito mais trabalho ensinar assim, buscando lidar com as necessidades específicas de cada aluno, mas é muito prazeroso colher o resultado disso. Ver quem dizia não gostar de matemática, passar a amar vir para as minhas aulas e descobrir um novo potencial na disciplina é a maior recompensa do meu trabalho”, afirma.

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