09/04/2021 às 14h42min - Atualizada em 09/04/2021 às 14h42min

New Orleans e Jamaica - duas viagens no mesmo mês

Por Odair Camillo - Jornalista
FOTOS: Reprodução/ Google













Em junho de 2002 o Jornal Brand-News recebeu convites para conhecer dois destinos diferentes, só que na mesma data. O primeiro veio através do Convention & Visitors Bureau de New Orleans, oferecendo a viagem com tudo pago, hospedagem no Omni Hotel, localizado no coração do French Quarter, refeições nos restaurantes famosos, cafés e noitadas em casas de jazz, durante uma semana. O segundo convite veio direto da Rede Beaches, que tem vários resorts na Jamaica.
Eu já tinha estado em Montego Bay, Negril e Ocho Rios com um grupo de jornalistas brasileiros dois anos antes, e já possuía uma visão turística do belo país caribenho. Este convite, no entanto, era para visitar Kingston, a capital da Jamaica, bem ao sudeste da ilha, perto de Port Antonio, a pouco mais de um quilômetro do Trident Castle.
Diante dessa situação, decidi optar por New Orleans, já que seria a primeira vez que iria conhecê-la. Mas o que responder ao Turismo da Jamaica, do qual já era conhecido e tinha boas relações de parceria?  Resolvi então, usar da mesma tática utilizada na minha viagem ao Havaí, que já relatei num capítulo anterior. Respondi a eles que, por já ter agendado uma viagem na mesma data, se poderia mandar um outro jornalista de turismo do Brand-News em meu lugar, que certamente faria o trabalho de cobertura igual, ou melhor do que eu. A mensagem foi enviada, e a proposta foi aceita.
Nos dias que antecederam a viagem, passei todas as informações à Lurdinha, minha esposa, que me substituiria no famtour à Kingston. Fizemos junto uma pesquisa sobre sua história, população, lugares mais visitados, passeios turísticos e, evidentemente, as praias.
 
Blue Lagoon, em Port Antonio seria a atração

 












A Jamaica é muito mais que berço de Bob Marley e do reggae: A ilha caribenha, inclusive, já foi cenário de diversas produções de cinema. Também pudera, além da riqueza cultural, o país tem uma série de belezas naturais.
Banhada pelo cristalino mar caribenho, é repleta de montanhas, quedas d’água e lagoas de tonalidades que variam entre o turquesa e o azul esmeralda, escondidas em meio a densas florestas tropicais.
E uma delas foi cenário de um filme que fez sucesso na década de 1980, a “Lagoa Azul”, estrelado por Brooke Shields. Ela está localizada na cidade turística de Port Antonio, próxima de Kingston, e que vem atraindo cada vez mais viajantes que circulam pelo norte da ilha, região onde resorts disputam espaço à beira-mar. 
Com aproximadamente 122m de extensão e 60m de profundidade, a “Lagoa Azul” é uma piscina natural que ficou também conhecida em 1954 quando o oceanógrafo Jacques Cousteau realizou uma expedição de mergulho na lagoa e na qual contabilizou 52 metros de profundidade. Atualmente as cifras elevam aos 60 metros.  Antes dessas investigações, pensava-se que a lagoa não tinha fundo. Esta situação foi propícia para o desenvolvimento de fábulas que contavam histórias sobre monstros que se mantinham nas profundidades e espreitavam as pessoas que se atreviam a chegar até lá, mitificando ainda mais este paraíso natural.
Além de influenciar nas mudanças de tonalidade, a combinação da água doce com a água salgada faz com que as temperaturas sejam variadas, ou seja, a experiência de nadar ali vale muito a pena. Enfim, era este o paraíso tropical que estaria esperando por Lurdinha!
Quanto a mim, iria conhecer New Orleans, a cidade mais europeia dos Estados Unidos, construída ao longo do rio Mississippi, com seus barcos movidos a vapor. Uma cidade que agregava as culturas francesa, espanhola, africana, italiana, alemã e irlandesa.  Iria me hospedar no French Quarter, o lugar especial onde nasceu a cidade e o jazz. Iria caminhar pela Bourbon Street, a rua dos prazeres e a mais famosa de New Orleans e na larga e movimentada Canal Street, pegaria o bonde verde e percorreria seus quase 9 km chegando até Mid-City, passando pelas belíssimas construções em estilo vitoriano da St. Charles. Enfim, estaria fazendo numa semana, tudo que sempre gostei...
 
O dia da viagem chegou!
 
Na data agendada, rumamos eu e Lurdinha para o aeroporto de Guarulhos. Embarcaríamos no mesmo voo com destino a Miami. De lá, cada um seguiria em voos diferentes. Ela para Kingston, na Jamaica, e eu para New Orleans, nos Estados Unidos. Já em Miami, o meu voo sairia uma hora e meia após o dela. Dessa forma eu teria tempo suficiente para colocá-la no Gate certo, facilitando sua entrada no avião.
Esta era a primeira vez que Lurdinha viajaria sozinha. Mas eu estava confiante que não haveria problema, uma vez que sempre viajávamos com amigos jornalistas já conhecidos de outras viagens internacionais. E certamente, algum deles estaria na fila para pegar o mesmo voo.  Mas não foi bem assim... Na fila de entrada, só vi o Wilson, um jornalista idoso de Curitiba/PR que eu não conhecia o bastante para pedir-lhe um favor. Mas como era o único naquele voo, cheguei até ele e pedi-lhe que, se possível, ajudasse minha esposa se ela tivesse algum problema durante o famtour. Ele prontamente me assegurou que cuidaria dela.
Durante essa semana, não tivemos qualquer contato telefônico ou de qualquer outra forma. Naquele tempo não havia o bendito celular, e nem mesmo a internet. Estávamos isolados completamente!
O retorno a Miami e, evidentemente a São Paulo, seria uma semana depois, já que seguiríamos juntos no mesmo voo. Ela chegou primeiro a Miami e ficou me aguardando no salão. Eu cheguei quase três horas depois, mas com tempo suficiente para pegarmos o voo noturno para São Paulo. Ao chegar ao salão onde marcamos nos encontrar, de longe percebi qualquer coisa estranha com ela. Estava sentada numa das poltronas do salão, com uma das pernas esticada, calça arregaçada, que mostrava o pé direito totalmente enfaixado. Levei um susto ao revê-la daquele jeito. Foi quando me contou o que havia acontecido.
Na noite anterior à viagem de volta ao Brasil, após o jantar e quando saía do restaurante, não percebeu uma depressão no piso e acabou caindo e torcendo o tornozelo. Foi imediatamente atendida por um profissional do próprio hotel, mas impossibilitada de caminhar.  Ainda bem que era a última noite da viagem!
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