19/03/2021 às 16h20min - Atualizada em 19/03/2021 às 16h20min

Sobre o lockdown nos municípios mineiros

TEXTO: Wiliam de Oliveira - FOTO: Reprodução Google – Agência Brasil - EBC
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Analisar o lockdown nos municípios mineiros, conforme decreto do governo estadual, não é tarefa simples e necessita de maior contextualização. Assim, sem querer esgotar o assunto, é preciso se refletir que ao longo de muitas décadas, a individualidade e o egoísmo foram tomando todas as nossas instituições. Repare nos clubes de serviços com o Rotary e o Lions, nas associações de classe, confrarias, grêmios, nas academias de letras: se teimam em existir em algum município, isso se deve a alguns poucos abnegados e, com certeza, passam sérias dificuldades de sobrevivência. Já na política, em muitas situações, o bem-estar passou a ser um conceito privado pertencente ao político e daí o crescimento da corrupção. Na medicina, reduziu muito o número dos chamados “médicos de família”, crescendo exponencialmente a família do médico. Veja o transporte coletivo. Ao longo do tempo, fomos adquirindo carros e motos e o ônibus foi sendo relegado a um segundo plano e hoje, o Sistema Municipal de Transporte Público somente sobrevive se houver o subsídio via prefeitura. A própria família foi perdendo o elo entre os seus integrantes. Nesse cenário, surgiu a pandemia, nos colocando de volta à sala de aula do viver em sociedade em uma lição que havíamos esquecido e agora somos obrigados a reaprender: O COLETIVO É MAIS IMPORTANTE QUE O INDIVIDUAL.
Estendendo o conceito, está a saúde pública, tema extremamente complexo, pois precisa ser enxergada de forma holística: física, mental, social, espiritual, financeira. Por esse olhar, a Covid-19 atinge todas as nossas “saúdes”. Estamos vendo o número de casos de Covid e de mortes crescerem a cada dia (saúde física), fechando estabelecimentos e perdendo empregos (saúde financeira), temos transtornos psicológicos (saúde mental), estamos confinados (saúde social) e abalados em nossa fé (saúde espiritual). Contudo, quando todos têm razão em suas necessidades individuais, o medicamento pode ser amargo: PRIORIZAR O COLETIVO. Para isso, se faz necessário evitar a proliferação do vírus, reduzindo o contato entre as pessoas, em um momento que milhões de cidadãos estão vivenciando perdas. Assim, planejar as ações a serem realizadas também é medida prioritária, mesmo em tempos de incertezas como o atual, em que ninguém é dono da verdade.
Nesse diapasão, se uma boa notícia necessita de planejamento para ser divulgada para se recolher os bons frutos, uma notícia amarga necessita de muito mais planejamento, incluindo a análise do cenário, já que os medicamentos não podem ser os mesmos de outrora, pois o histórico do paciente mudou. No início da pandemia, quando houve a primeira paralisação das atividades, os comerciantes aderiram relutantes, muito mais pela crença de que seria por pouco tempo. Na atualidade, muitos comerciantes se encontram cansados de nadar contra a maré e o governo, em todas as suas esferas, é enxergado como um sócio que não participa das lutas do cotidiano. Por tudo, penso que o governo estadual cometeu equívocos na divulgação apressada de uma medida tão amarga como o lockdown em todos os municípios mineiros, em que pese a urgência que o momento exige. Como consequência, as cidades foram obrigadas a correr atrás para buscar cumprir o decreto de um dia para outro. O resultado não poderia ser diferente: improvisação, informações desencontradas, incompreensão, revolta e perda de credibilidade. Finalizando, é assim: não basta se acertar no que fazer. É preciso não errar no como fazer.
 
Por Wiliam de Oliveira – Jornalista
 




 

 
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