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13/10/2022 às 15h40min - Atualizada em 13/10/2022 às 15h40min

Perda da visão pode ser prevenida, diz pesquisa

FONTE E FOTO: Eutrópia Turazzi - LDC Comunicação
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Pesquisa da IAPB (International Agency Prevention Blindness) mostra que 8 em cada 10 casos de perda da visão e deficiência visual no Brasil poderiam ser evitados
 
Nesta quinta-feira, 13 de outubro, é celebrado o Dia Mundial da Visão, uma iniciativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) que anualmente alerta para os cuidados com a saúde dos olhos. O objetivo é reduzir em 40% a deficiência visual até 2030. Isso porque, pesquisa global mostra que a prevenção poderia evitar a deficiência visual em 1 bilhão de pessoas. No Brasil não é diferente. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, um levantamento que realizou no hospital com 814 pacientes, mostra que 47% só buscam por consulta quando percebem que a visão está pior. No começo, ressalta, todas as doenças oculares passam despercebidas. “Já atendi crianças com grau moderado de miopia que nunca tinham passado por um exame oftalmológico”, afirma. 
 
Para o oftalmologista o hábito de só procurar por consulta oftalmológica quando a visão piora explica o resultado da pesquisa sobre a saúde ocular do brasileiro realizada pela IAPB (Agencia Internacional de Prevenção à Cegueira), coligada à OMS. De acordo com a agência, 80% dos 28 milhões de brasileiros com deficiência visual e dos 1,75 milhão casos de cegueira poderiam ser evitados com tratamentos simples aplicados no início das doenças oculares. Pior: a atlas da IAPB evidencia que a perda da visão no Brasil é 60% maior que na população dos países da África do Norte e Oriente Médio.
 
VISÃO NA INFÂNCIA
Pioneiro no Brasil a detectar que o excesso de telas digitais provoca nas crianças miopia, ou dificuldade de enxergar à distância, por causar espasmo nos músculos do olho que alternam o foco nas várias distâncias, Queiroz Neto, que faz parte da ABRACMO (Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia), chama a atenção para a importância do controle do grau. “Usar óculos de lentes simples ou lente de contato comum corrige a visão, mas não evita a progressão do grau”, afirma.  Isso porque, explica, até estimulam o crescimento axial do olho, que é maior no alto míope. Por isso, dependendo da genética da criança, predispõem à alta miopia, acima de 6, que aumenta o risco de descolamento de retina, glaucoma, catarata precoce e degeneração da retina causada pelo afinamento do tecido.
 
ACIMA DOS 50 ANOS
Para quem já passou dos 50 anos o oftalmologista alerta que a falta de exames anuais pode causar perda irreparável da visão, principalmente porque doenças sistêmicas como o diabetes, a hipertensão arterial e o aumento do colesterol mais frequentes a partir desta idade podem causar degeneração macular, aumentar o risco de catarata e glaucoma.
 
“Da catarata ninguém escapa. Quem viver terá. A estimativa da OMS é de que hoje mais de 6 milhões de brasileiros têm catarata, maior causa de perda evitável da visão”, pontua. Queiroz Neto afirma que na maioria dos casos a opacidade do cristalino está relacionada ao envelhecimento natural do olho, que degenera suas proteínas. Pode também ser causada por outras doenças, como o diabetes. A boa notícia é que a cirurgia é segura, rápida, dura 10 minutos, e muitos passam a enxergar melhor do que quando eram jovens. Isso porque, hoje as novas lentes que substituem o cristalino corrigem os erros de refração e podem inclusive liberar do uso de óculos.
 
Queiroz Neto ressalta que a OMS aponta no Brasil cerca de 900 mil casos de glaucoma, doença traiçoeira que avança sem dar um único sinal. Por isso, só é descoberta em estágio avançado por quem não faz exames anuais.  Em 90% dos casos está relacionado ao aumento da pressão intraocular, que casa danos irreparáveis no nervo óptico. Conforme progride, diminui o campo visual a ponto da pessoa ter a sensação que está olhando através do olho mágico de uma porta. O tratamento é feito com uso contínuo de colírios que controlam a pressão interna do olho e evitam a perda de células do nervo óptico.
 
A degeneração macular danifica a porção central da retina, pode levar à perda definitiva da visão e atinge 660 mil brasileiros, de acordo com a OMS. É uma doença multifatorial desencadeada por diabetes, hábito de fumar, casos na família e consumo de alguns medicamentos. Hoje, o tratamento é feito com injeções de antiangiogênicos e aplicações de laser, afirma Queiroz Neto. O acompanhamento médico é o único caminho para preservar a visão até o fim da vida, conclui.

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