23/02/2021 às 14h33min - Atualizada em 23/02/2021 às 14h33min

O perigo da automedicação

Dra. Camila Beltrame - dracamila.beltrame@yahoo.com
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google
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Olá queridos leitores, como passaram a semana? Espero que bem e com muita saúde e bem-estar.  Hoje venho falar para vocês sobre o perigo da automedicação.
Existem vários medicamentos que são vendidos sem receita - considerados inocentes à saúde - para diversas causas: dor de cabeça, cólicas, dores nas costas, azia e queimação.
O que muitos não sabem - e por isso meu texto de hoje - é que muitos desses medicamentos “inocentes” à saúde, podem causar muito estrago àquele que tomar sem prescrição médica.
Na verdade, até mesmo vitaminas - inocentes vitaminas -, quando consumidas em excesso ou sem indicação podem causar problemas à saúde, você sabia disso?
Como sempre digo, assim como a falta de algum mineral ou vitamina é prejudicial, o excesso também é. Mas continuemos no hall dos medicamentos liberados para compra.
 
Quero citar cinco exemplos e o que eles podem ocasionar à sua saúde quando não bem indicados
 
Exemplo 1 - O campeão de audiência no consumo e tempo de uso: omeprazol. Na época em que eu atuava como médica de Programa de Saúde da Família ele era o recordista das receitinhas! E ai de mim se eu não renovasse, ou se tentasse desmamar o paciente do uso - logo já vinham reclamando: “mas doutora, pelo amor de Deus, esse não vivo sem.”
Meus queridos leitores, se você é um desses, que não fica sem o seu omeprazol ou qualquer prazol da vida, sinto te informar: sua saúde irá para o beleleu em breve. Veja bem e leia com atenção: o uso devido para alguns tratamentos é totalmente indicado – me refiro ao uso contínuo, sem indicação médica. O uso continuo do omeprazol ou dos “prazois” da vida estão relacionados ao que chamamos de gastrite atrófica - situação onde o estômago deixa de produzir de forma eficaz o ácido estomacal responsável e necessário para a digestão e absorção de nutrientes. Muito comum nesses pacientes, a anemia por falta de vitamina B12.
 
Exemplo 2 - paracetamol. Um famoso analgésico usado para qualquer quadro de dor. Basta um quadro de resfriado e lá vem aquela caixinha colorida (uma para dia e outra para noite) sendo usada a cada oito horas.
O problema do paracetamol é que ele pode ser hepatotóxico - isso quer dizer em miúdos que ele pode causar um problema grave em seu fígado, principalmente se você tiver um fígado sofrido em virtude de colesterol, bebidas, gordura. Já conheci pacientes que morreram por hepatite medicamentosa com o uso do paracetamol: doses acima de 1,5 gramas por dia são consideradas uma tragédia ao seu fígado. Fique de olho.
 
Exemplo 3 - anti-inflamatórios. Pessoas com quadro de dor crônica, dores musculares, dores de cabeça e qualquer outra situação semelhante, usa. Conheço paciente que usa diariamente. Qual o risco? Doenças renais, doenças hepáticas, problemas gastrointestinais, doenças no sangue, alucinações e tremores são alguns exemplos.
 
Exemplo 4 - anticoncepcionais hormonais. “Briga” certa entre mim e as minhas pacientes que usam. Por experiência própria e por estudos clínicos, os anticoncepcionais são os grandes responsáveis por taxas muito elevadas de casos de enxaqueca, problemas circulatórios como trombose, acidentes vasculares cerebrais, dificuldade de perda de peso, impotência, depressão ou alteração do humor grave, baixa energia e dificuldade de ganho de massa muscular. Curiosos? Geralmente causa impacto mesmo.
 
Exemplo 5 - ansiolíticos. Em um mundo ansioso, esse quase se encontra no topo da parada. E que triste dizer isso, mesmo sendo médica. Essas medicações, quando utilizadas sem indicação, sem prescrição, sem dose adequada, sem tempo determinado, podem trazer ao seu usuário problemas como perda de memória, transtornos motores e de reflexo, dores de cabeça, tontura, náuseas, redução da concentração, sonolência, apatia, entre outros sintomas.
 
Então meus caros, mediante todo o exposto, peço encarecidamente: antes de usar qualquer medicação, procure certificar-se com um médico responsável a real indicação. Sabidamente já nos foi dito: a diferença entre o remédio e o veneno está na dose!
Obrigada por estarem comigo. Grande abraço e até a próxima semana.
 


 

 


 
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