08/02/2021 às 16h56min - Atualizada em 08/02/2021 às 16h56min

A (re) VOLTA ÀS AULAS

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário/ wiliam.oliveira@uol.com.br - 9 8708 6241
Existem duas certezas nessa pandemia: a primeira é que ainda estamos com muitas dúvidas e a segunda, é que a doença veio a evidenciar, a ressaltar, a trazer à tona, as nossas já gritantes diferenças sociais. Portanto, analisar o retorno ou não às aulas presenciais passa obrigatoriamente por esse cenário. Ao que se sabe, o vírus sofre mutações no mundo todo e a Covid-19 da atualidade já não e mais a mesma do início da pandemia. Ou seja, pairam dúvidas ainda sobre a eficácia dos tratamentos e as próprias vacinas ainda são objetos de questionamentos, embora nos pareça inquestionável, que elas representam uma alternativa a ser tomada (nos dois sentidos) por todos.
Comentar nossas diferenças sociais é o mais do mesmo, pois em uma mesma cidade, há diferenças nos bairros e, nos bairros, diferenças nas ruas.  Como colocar na mesma classe, na mesma sala de aula, na mesma escola, uma regra única que possa atender a todos, se em uma única rua há uma heterogeneidade de classes sociais?
Enfim, atravessamos o mesmo mar revolto, mas, definitivamente, as embarcações são totalmente diferentes e as aulas online foram a prova do nosso fosso cibernético: enquanto uns tinham computador com acesso à internet, muitos enfrentavam a desconexão financeira e virtual em uma realidade de miséria e desemprego.
Então, a dúvida coletiva resulta nas certezas individuais. Cada um dentro da sua realidade pode defender sua opinião e ela ser correta. Como não dar razão a pais que, revoltados, reclamam que os filhos estão trancados em casa com sintomas de depressão e ansiedade, resultando em doenças psicológicas, emocionais e até orgânicas, pela ausência das aulas e do saudável e insubstituível contato com os amigos e professores? Por outro lado, como não dar razão a pais que temem que o retorno das aulas presenciais possa significar maior possibilidade de contágio e do agravamento da saúde da família? Como não dar razão ao Poder Público que em meio a tantas variáveis precisa cuidar da saúde pública, o que significa estabelecer regras únicas para escolas municipais e particulares?
Finalizando, a pandemia é essa nova matéria que vem nos ensinar a reaprender o que já havíamos esquecido, obrigando diferentes embarcações a enfrentar a mesma tormenta. Assim, necessário fazer a lição de casa, o que não é tarefa fácil: o interesse coletivo em seu mais amplo espectro deve estar à frente das questões individuais, ainda mais em momentos de tantas dúvidas e poucas certezas.






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