05/02/2021 às 16h02min - Atualizada em 05/02/2021 às 16h02min

Memórias de um jornalista “globetrotter” - Parte 1

Por Odair Camillo - Jornalista

As minhas viagens turísticas, iniciadas há mais de 40 anos, quando pela primeira vez voei pela VASP com destino a Florianópolis/SC, certamente marcaram minha vida e provaram aquilo que a Lurdinha, minha esposa, sempre diz: “Você precisa ser picado pela mosca azul do aeroporto para se tornar um viajante turístico para o resto da vida”.
Ela certamente quis se referir ao poema de Machado de Assis no qual um plebeu, ao deparar-se com misteriosa mosca azul, vislumbra-se como soberano de vasto império, um rei cercado por mulheres e empregados, e de toda a mordomia possível.
E essa comparação é quase uma verdade. A maioria das vezes as pessoas não sentem esse prazer de viajar porque têm medo de avião. Mas depois que voam, aprendem que esse tipo de transporte é um dos mais seguros que há. E com o passar do tempo, se sentem mais seguras no ar do que passeando ou dirigindo pelas nossas ruas e rodovias.
Depois de “picado pela mosca”, após uma viagem você imediatamente se programa para outra, mais outra e assim, sucessivamente. Você passa a ser um dependente de informações turísticas, você sente a necessidade de conhecer outros povos, outra civilização, de falar uma língua diferente, de estudar a configuração das aeronaves e até sonhar em mudar da classe Econômica para a Executiva e, se possível chegar um dia a ter condições de comprar seu voo na Primeira Classe.
Mas não importa o assento mais confortável, uma refeição mais sofisticada acompanhada de um vinho de boa safra e toda a tecnologia oferecida ao viajante. O que lhe interessa é voar. É ser transportado para bem longe, para lugares famosos ou exóticos, em busca de belezas naturais ou as imaginadas e construídas pelo homem.
E quando você retorna a seu país, à sua cidade, você evidentemente tem uma sensação diferente de tudo que o cerca. Você passa a fazer comparações, já que vivenciou, mesmo que por pouco tempo os hábitos e costumes de outros povos, a sua cultura e religiosidade, e não vê a hora de passar essas informações colhidas ao longo da viagem a seus amigos e familiares.
Só mais tarde, você realmente vai perceber que nessa sua viagem, você participou de uma aula magna de uma famosa Universidade e aprendeu muito mais do que esperava!
 
A primeira viagem de avião, ninguém esquece
 
Desde menino sempre tive uma grande atração pelos aviões. Aliás, essa atração não é só para as crianças. Acredito que também a grande maioria dos adultos se sente atraído pelas aeronaves que cortam nossos espaços aéreos.
As primeiras imagens desses pássaros voadores ficaram registradas em minha mente, quando surgiram os filmes de guerra que assistia frequentemente aos domingos, no Cine Theatro Polytheama, que ficava ao lado do atual prédio da prefeitura de Poços de Caldas.
Com o passar do tempo, uma coisa que me marcou profundamente - embora eu ainda fosse ainda jovem - era também a postura, a elegância dos uniformes dos pilotos e das aeromoças, hoje chamadas de comissárias de bordo. Eles eram simplesmente meus ídolos.
Na época, Poços de Caldas era servida por empresas aéreas que a ligavam com São Paulo e Rio de Janeiro. Os voos chegavam ao aeroporto local trazendo muitos turistas que aqui aportavam, não só em busca do tratamento pelas águas termais, como também, para jogarem a sorte nos vários cassinos que funcionavam livremente.
Certa vez - mas já sabendo de antemão a resposta negativa - disse a meus pais que gostaria de ser piloto. A reação deles foi imediata e a mais enfática possível. “Você tá ficando louco. Nem pensar...” Naquela época, nossos pais influenciavam e praticamente decidiam na escolha de nossa profissão, e a de piloto era tida como “muito bonita, mas perigosa”.
Depois dessa frustração, somente depois de casado tive a oportunidade de voar num “teco teco”, ou “paulistinha”, como eram conhecidos os pequenos aviões utilizados no aeroclube de Poços de Caldas na instrução dos candidatos a tirarem o brevê e se tornarem pilotos profissionais.
O primeiro voo panorâmico sobre a cidade foi fantástico. O teco teco percorreu rapidamente a pista curta e decolou. Já lá em cima, em dado momento tive a sensação de que seu único motor poderia parar. Mas logo afastei essa ideia, e comecei a curtir a beleza de Poços de Caldas vista das alturas. Maravilhosa!
Depois deste, aconteceram outros. Tempos atrás, levei meu neto para um passeio panorâmico tendo no comando meu amigo Lara.
Mas o meu sonho sempre foi voar mais alto. Até que a oportunidade surgiu quando já havia me tornado jornalista, e já vinha editando o “Brand-News”, quando fui convidado a participar de um famtour partindo de Belo Horizonte com destino a Florianópolis.

 
Agora o voo seria num avião “de verdade”
 
Realmente, agora eu estaria prestes a voar de verdade, num Boeing 737-300 da VASP, uma empresa aérea conceituada na época. E o melhor de tudo, levando ao meu lado a esposa e sem ter que gastar um centavo sequer. Tudo na faixa. O mais interessante é que seria a primeira vez que eu iria também conhecer um verdadeiro aeroporto, o pequeno mas movimentado Aeroporto de Pampulha - Carlos Drummond de Andrade e desembarcar no Aeroporto Internacional de Florianópolis - Hercílio Luz. Seria a glória.
O grupo de jornalistas que também estava hospedado no BH Othon Palace, deixou o hotel pela manhã numa van da própria empresa aérea e fomos todos para o aeroporto. Na época, os voos nacionais partiam de Pampulha. Quando lá chegamos, o check-in já havia sido preparado pela guia Doralice - funcionária da Vasp - que acompanharia o grupo na viagem.
Na época não havia qualquer procedimento de segurança, e em poucos minutos já estava na escada ao lado da enorme aeronave. Como todo passageiro de primeira viagem, uma foto ao lado da turbina do avião seria o mínimo que eu queria no momento, antes de galgar os degraus da escada para adentrar o avião.
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