25/02/2022 às 16h01min - Atualizada em 25/02/2022 às 16h01min

Nomofobia: conheça o vício que será um dos temas da próxima novela de Gloria Perez

FONTE E FOTO: Igor Basilio - igor.basilio@idealhks.com
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O medo de ficar sem celular e os riscos causados pelo vício no aparelho serão um dos assuntos debatidos no próximo folhetim da autora

Você já ouviu falar em nomofobia ou no-mobile? O nome pouco conhecido refere-se a uma fobia que tem crescido em todo o mundo e que será um dos temas discutidos em Travessia, a próxima novela das nove de Gloria Perez na Globo. Prevista para estrear em março de 2023, a trama vai falar do medo irracional de ficar sem o celular e discutir as relações entre o homem e a tecnologia.
 
Em seu Twitter, a autora compartilhou uma pesquisa em que cientistas listaram os países com os maiores índices de vícios em smartphones. O Brasil ocupa o 4º lugar do ranking. Já um estudo divulgado pela Digital Turbine mostra que 20% dos brasileiros não ficam mais de 30 minutos longe do celular.
 
Para o psicólogo Davi Alves, professor do curso de psicologia da Faculdade Pitágoras, o avanço tecnológico é um dos fatores que contribuem para a dependência. “A cada dia surgem aparelhos celulares com as mais altas tecnologias. Reforçando a necessidade em estar sempre perto de um celular, pois nele se resolve tudo: trabalho, estudos, entretenimento e compras. Com isso, cria-se o hábito de estar no celular. A todo tempo somos reforçados a emitir esse comportamento e quando nos percebemos distante dele é como se deixássemos de viver ou de estar conectado com o mundo”, explica o docente.
 
O estudo da plataforma de mídia também apontou que 92% dos brasileiros fazem compras pelo celular e que desse percentual 30% passaram a comprar ainda mais pelo aparelho móvel após o início da pandemia. Davi Alves ressalta que apesar da comodidade ofertada pelos aparelhos, é preciso ficar atento aos sinais que indicam vício. “Quando a pessoa percebe que não está conseguindo fazer coisas que não estejam vinculadas ao uso imediato do celular é preciso atenção. Por exemplo, a pessoa vai a um aniversário e tem a sensação de que ali está chato por ter que conversar ou emitir outros comportamentos que não dependem do celular. Estudando, namorando, comendo ou fazendo outra atividade e ao mesmo tempo olhando o celular e verificando mensagens. Ou seja, quando existe um condicionamento da vida ao uso do celular”.
 
Levantamento do Google mostra que 73% dos brasileiros não saem de casa sem os seus dispositivos. O psicólogo ressalta que o uso exagerado do aparelho pode trazer consequências. “Elas são diversas e na maioria das vezes terríveis quando lembramos que somos uma espécie que vive em comunidade e para que essa comunidade exista de forma sólida e saudável é importante que seus membros se relacionem. Essa relação, em parte, pode ser até realizada via celular, mas o aparelho não responde às necessidades de relação que o homem precisa. Com isso, percebemos relações frágeis entre amigos, familiares, entre alunos e professores, entre relações amorosas. São pessoas preferindo fazer uso do celular à interação presencial. Estamos rompendo com um princípio, em que o viver em comunidade está sendo trocado para o viver uma vida mais individualizada e com menos contato possível”.
 
O profissional da saúde explica que é preciso analisar as consequências do uso descontrolado e os prejuízos desse comportamento. “De acordo com a magnitude desse comportamento socialmente disfuncional, a ajuda de um psicólogo é indispensável e certamente o processo terapêutico vai ajudar esse sujeito a melhorar esse vício em um contexto de reflexão. Onde se possa compreender quais são os reforçadores desse comportamento, bem como propor ao sujeito outras possibilidades”.
 
Davi Alves pondera que o problema não é a tecnologia em si, mas a maneira como nos relacionamos com ela, já que o celular é um item quase que essencial para muitas pessoas que usam para trabalhar e estudar. Ele defende que o uso deve ser de forma saudável para que o aparelho seja um auxílio e não uma dependência. “Quando a função de algo é clara para o sujeito, ele consegue estabelecer uma relação baseada em clareza. Se o celular é para trabalhar, importante definir qual o horário de trabalho. Se for para estudar, limitar o horário de estudo. Se usado para manter relações afetivas, definir quanto tempo do seu dia será dedicado a isso. Quando temos clareza da função, melhor controle podemos exercer sobre esses comportamentos”, conclui o psicólogo.

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