04/02/2022 às 15h47min - Atualizada em 04/02/2022 às 15h47min

Fevereiro Laranja: 10 mil brasileiros terão leucemia em 2022, aponta pesquisa do Inca

FONTE: COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS - FOTOS: Divulgação
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Especialista explica sobre sintomas, fatores de risco, tratamento e doação de medula; campanha alerta sobre doença
 
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, neste ano, serão diagnosticados mais de 10 mil casos novos de leucemia, sendo 5.920 em homens e 4.890 em mulheres, no Brasil. Atualmente, essa doença ocupa a 9ª posição nos tipos de câncer mais comuns em homens e a 11ª em mulheres. E para chamar atenção para essa enfermidade, fevereiro ganha a cor laranja. “A importância é para alertar a população do diagnóstico precoce da leucemia e da necessidade de doação de medula óssea, que pode salvar uma vida”, salienta a hematologista e hemoterapeuta pelo Inca, Maria Cunha Ribeiro Amorelli.
 
A especialista explica que a leucemia é o câncer do sangue. "Ela se origina dentro da fábrica do sangue, na medula óssea, que fica localizada dentro dos ossos, naquela parte que a gente chama de tutano”, destaca. “Existem mais de 12 tipos de leucemia. Têm as agudas, que são as leucemias mais graves, que precisam das quimioterapias mais pesadas, e existem as leucemias crônicas, em que o tratamento é mais lento. Não existe cura para essas leucemias, mas remissão e controle a longo prazo com tratamentos menos agressivos”, completa. 
 
Os principais sintomas da leucemia decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula óssea. A diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia, que provoca fadiga, falta de ar, palpitação e dor de cabeça. A redução dos glóbulos brancos provoca baixa da imunidade, deixando o organismo mais sujeito a infecções, muitas vezes graves ou recorrentes. A diminuição das plaquetas ocasiona sangramentos, sendo os mais comuns das gengivas e pelo nariz, e manchas roxas na pele. 
 
Certos grupos de pessoas são mais propensos a adquirir a doença. “As leucemias linfóides agudas são muito mais comuns nas crianças até os 10 anos, enquanto que as leucemias mieloides nos mais velhos, sendo maior o seu risco”, conta Maria Amorelli, completando como é possível prevenir esse câncer. “Em termos de prevenção é ter uma vida saudável. Evitar o tabagismo, fazer exercício físico e ter uma boa alimentação são os fatores que a gente, em geral, utiliza para prevenir o desenvolvimento de uma célula cancerígena”.
 
FATORES DE RISCO - No entanto, a hematologista alerta para alguns fatores de risco para a enfermidade. “A exposição ao benzeno, o formaldeído, a agrotóxicos e solventes podem provocar a doença; se a pessoa já foi submetida a quimioterapia ou radioterapia; quando existem casos na família; quem nasceu com alguma síndrome genética, como a Síndrome de Down, pode ter predisposição. Algumas infecções virais também podem ser fatores de risco para o desenvolvimento de leucemia”, detalha. 
 
A especialista também desfaz um mal entendido feito por muitos. “Não é qualquer anemia que pode causar leucemia, ao contrário do que a população pensa, apenas quem tem anemia secundária, que é uma doença chamada mielodisplasia”, explica. Os tratamentos também são variados. “Para as leucemias agudas são as quimioterapias mais agressivas, aquelas que aplicamos na veia, que normalmente levam a queda de cabelo e sintomas mais intensos. Já as leucemias crônicas, algumas vezes, são tratadas até com comprimido, com o paciente em casa”.
 
Sobre o cadastro para a doação de medula óssea, Maria Amorelli ressalta que é algo simples. “Você vai a qualquer hemocentro na sua cidade e faz um cadastro. Deve-se ter entre 18 e 35 anos, estar saudável e não ter nenhuma doença infecciosa ou autoimune”. Em relação ao processo de doação em si ela também explica. “Pode ser feito de duas maneiras: uma em que a pessoa vai para o centro cirúrgico e é coletada a medula óssea, porém não existe corte, não existe ponto, apenas uma punção em que a pessoa vai estar dormindo. Na outra possibilidade o paciente pode fazer uso de um medicamento que faz as células-tronco saírem da medula óssea, circularem pelo sangue e então, como numa doação de plaquetas, essas células são recolhidas. O método de doar é definido pelo centro que faz o transplante”, esclarece a hematologista.

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