14/12/2021 às 17h21min - Atualizada em 14/12/2021 às 17h21min

"Rouba, mas faz". O grande erro da expressão consagrada por políticos e impregnada na sociedade

FONTE: MF Press Global - Foto: Divulgação / MF Press Global
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Neurocientista Prof. Dr. Fabiano de Abreu revela que a população inocentemente não reconhece o perigo por trás destas palavras
 
Em praticamente todas as campanhas eleitorais, é comum ouvir do povo aquela velha expressão sobre determinado político: "Ele rouba, mas faz". Ao contrário do que a sociedade pensa, esta frase não se traduz em uma representação de que o agente público seja uma pessoa "honesta", apesar de seus desvios de conduta. Aliás, conforme explica o PhD, neurocientista, filósofo, psicanalista e antropólogo Prof. Dr. Fabiano de Abreu, é preciso entender que "quem rouba é egoísta e não está pensando no outro".
 
Quem comete estes crimes, alerta Fabiano, "é uma pessoa deficiente de caráter, de ética, de moral e índole". Afinal, como ele detalha, "quem rouba está tirando algo de alguém", por isso é difícil crer que um político vá fazer bem para a população, já que ele está pensando apenas em si mesmo. "As pessoas acreditam que tal conduta é camuflada, e não adianta colocar flores em jardim se não fomos cuidar dele", exemplifica. Outro exemplo que o neurocientista apresenta é que "não adianta tapar um buraco se o cimento que foi utilizado é de péssima qualidade para depois ter que tapá-lo novamente".
 
Neste Dia Mundial contra a Corrupção, o neurocientista lembra que é preciso mudar a concepção desta expressão, tão consagrada no meio eleitoral, para assim entender a profundidade do desvio de conduta do agente político que comete estes atos: "A corrupção é algo errado, e não é justificável, como a frase aparenta ser". Para isso, ele conclama a população a refletir: "a corrupção está enraizada em nossa cultura e isso é lamentável. A violência, que é o que mais temos em nosso país, está vinculada justamente a essa cultura corrupta de tirar algo de alguém sem ter empatia, e o pior, tirando de outra pessoa para se beneficiar em causa própria", ressalta Abreu.
 
Em relação à realidade brasileira, "a corrupção ainda é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico e social no Brasil.  Ao seguir este pensamento arcaico e errado do 'rouba, mas faz', é possível constatar que os avanços da agenda anticorrupção estão sob risco e a impunidade decorrente de atos corruptos e de improbidade administrativa tendem a enfraquecer a democracia e a desestabilizar o país", completa.
 
O Dia Internacional Contra a Corrupção foi criado em referência à assinatura da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, que ocorreu na cidade mexicana de Mérida, em 9 de dezembro de 2003. Mais de 110 países assinaram a Convenção, que entrou em vigor internacionalmente no dia 14 de dezembro de 2005. Dentre os documentos assinados naquela data por todos estes países, destaca-se a cooperação para a recuperação de somas de dinheiro desviado dos países e a criminalização do suborno, lavagem de dinheiro e outros atos de corrupção.

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