22/11/2021 às 15h54min - Atualizada em 22/11/2021 às 15h54min

Trabalhos inéditos de Germana Monte-Mór, Paulo Monteiro e Solange Pessoa compõem mostra na Casa de Cultura do Parque

FONTE E FOTOS: Casa de Cultura do Parque
Sem título, 2019, Germana Monte-Mór
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A coletiva ‘De Terra e Gás’ propõe um diálogo entre matéria, forma e cor presente nas obras dos três artistas; a desenhista, gravadora, pintora e escultura carioca Germana Monte-Mor circula por Poços com frequência, suas obras podem ser vistas no escritório do arquiteto Ralf Matavelli
 
Germana Monte-Mór, Paulo Monteiro e Solange Pessoa - artistas que se estabeleceram na cena de arte nacional entre o início da década de 80 e 90, com ênfase na pesquisa tridimensional e pictórica, integram a coletiva De Terra e Gás, que apresenta obras inéditas de diferentes períodos de suas carreiras. Com direção artística de Claudio Cretti, a mostra será exibida a partir de 27 de novembro na Galeria do Parque, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa de Cultura do Parque.
Os três artistas têm no desenho e na escultura a matriz de suas produções, oferecendo um diálogo poético entre formas, cores e materiais que tomam corpo com um certo esforço, revelando um embate rico entre matéria e forma. Tendendo, quase sempre, à abstração, são obras carregadas de mistério. "São furos, buracos, casulos, linhas e espessas e massas informes, como se fosse revelar algo que não está ali, exalar um gás, fazer uma surpresa", comenta Claudio Cretti.
Com trajetórias semelhantes e cruzamentos em outros momentos de suas carreiras, a produção artística do trio é repleta de referências às culturas emergentes na cena contemporânea e à própria história recente da arte, como o Pós-minimalismo, a Arte povera italiana, o Neoconcretismo brasileiro, sem deixar de olhar com atenção à produção da arte popular brasileira.
 
Influenciados por uma miríade cultural, as obras carregam a quebra da divisão entre espectador e obra, entre erudito e popular, diluindo essa inibição entre obra e espectador numa presença corpórea das obras. O uso de materiais inusitados - como asfalto, feltro, estanho, chumbo e cera, argila, cerâmica - evidencia a liberdade de experimentações e criações que possibilita uma maior subjetividade e expressividade.
O trabalho dos três artistas possui relação com o mundo e a realidade, a partir da criação de formas orgânicas e naturais. As obras de Germana possuem volume, tanto em suas produções bidimensionais, quanto em suas esculturas. Nos trabalhos de Paulo a matéria da tinta instiga sobre como foi manipulada, e na produção de Solange há uma dubiedade sobre a definição como relevo ou escultura.
 
Para o diretor artístico da mostra De Terra e Gás e da Casa de Cultura do Parque, Claudio Cretti, "é muito interessante observar três artistas brasileiros que se formam nos anos 80, um período de retomada de um cenário diverso da arte no Brasil, e que hoje têm em seus trabalhos o diálogo não só entre si, mas com toda potencialidade da produção contemporânea, atualizando questões de forma, matéria e cor em consonância com a atualidade e poética contemporânea".
 
A Casa de Cultura do Parque, localizada em frente ao Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, em São Paulo, é um espaço plural que busca estimular reflexões sobre a agenda contemporânea, promovendo uma gama de atividades culturais e educativas que incluem exposições de arte, shows, palestras, cursos e oficinas. Tem como parceiro institucional o Instituto de Cultura Contemporânea - ICCo, uma oSCIP sem fins lucrativos. As duas iniciativas, de natureza socioeducativa, compartilham a mesma missão de ampliar a compreensão e a apreciação da arte e do conhecimento.
 

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