04/10/2021 às 13h07min - Atualizada em 04/10/2021 às 13h07min

“De coração”

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google

Morar no coração da gente e não pagar aluguel não é, como parece ser, mera expressão, uma fala qualquer. Nela reside um simbolismo emocional dos mais significativos.
O coração da gente é verdadeiramente uma casa e são poucos, muitos poucos, os que possuem a chave da porta para entrarem e saírem a hora que desejarem.
A sala do nosso coração é aquele espaço que recebe muita gente. São os que eventualmente fazem parte da nossa vida: colegas de trabalho, pessoas que temos contato temporário e esporádico e que aparecem, quando em vez, para prosear, assistir televisão, usar o banheiro.
Já a cozinha e o quintal do nosso coração, são lugares reservados para a confraternização de laços familiares e de amizade. É aquele churrasquinho acompanhado de uma cerveja gelada, uma festa de aniversário, a comemoração de datas especiais.
 
Mas, é lá no quarto do coração da gente que habitam as pessoas que verdadeiramente a gente ama. Aquelas que conhecem cada espaço da casa, que dividem com a gente, nossas alegrias e os desafios da vida. Usualmente são nossos pais, nossos irmãos, o marido ou a esposa, os nossos filhos, os amigos mais chegados. Esses não pagam aluguel no coração da gente, porque o amor é a chave e esse não tem preço, pois é baseado no valor daqueles que se consideram, que se respeitam, que se gostam.
 
Assim, quando perdemos alguém que a gente ama, a nossa casa realmente fica mais vazia e “naquela mesa está faltando ele ou ela”, pois a saudade dele ou dela é que passam a viver na gente.
 
Por tudo também, o coração da gente não pode ser uma prisão, onde a gente obrigue as pessoas a viverem.
O coração da gente não tem cadeados. As pessoas que a gente ama podem escolher, se desejarem, não residirem mais nele. E o coração dos outros onde a gente reside, tem a mesma condição. Às vezes, podemos não ter mais o direito de nele viver, porque a chave (o amor) se perdeu.
O coração da gente, bem como o dos outros, pode abrir portas para novos inquilinos, pois tem como item contratual obrigatório, a liberdade, base incondicional do amor.
Assim, como a nossa casa, cuidemos muito bem do coração da gente, pois é lá que a gente mora... para sempre.




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