24/09/2021 às 16h22min - Atualizada em 24/09/2021 às 16h22min

Como a mente ajuda o corpo no combate ao fumo

FONTE: Ideal H+K Strategies - FOTO: Reprodução Google
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Especialista explica como mudanças de hábitos podem contribuir para evitar situações que associem o fumo à rotina
 
Durante a pandemia de Covid-19, o tabagismo se mostrou fator de risco para o agravamento de sintomas da doença. Embora as estatísticas apontem uma redução de tabagistas no País, os dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer) mostram que 200 mil mortes anuais no Brasil ainda são causadas pelo tabagismo e, atualmente, 11% da população brasileira com mais de 18 anos é fumante. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis.
Uma das alternativas para quem busca parar é realizar atividades diferentes na rotina, como hobbies, ou investir em exercícios físicos, por exemplo. Estas mudanças no dia a dia auxiliam a identificar possíveis gatilhos que acendem a vontade de fumar.
 
A coordenadora e professora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de São Bernardo do Campo (SP), Sueli Cominetti Corrêa, explica que os programas de apoio ao fumante normalmente sugerem que a pessoa marque uma data para parar de fumar e que vá adotando a redução possível antes deste período, diminuindo a quantidade de cigarros ou aumentando os intervalos, por exemplo. "Ao escolher esta data, é importante que a pessoa programe atividades boas para aquele dia, para que estas experiências a auxiliem e o foco seja outro", ressalta.
 
A psicóloga também lembra que a nicotina é uma substância psicoativa, portanto, ela interfere nas funções do Sistema Nervoso Central. "Ao fumar, a pessoa ativa regiões do cérebro e experimenta sensação de compensação, de prazer e, exatamente por isso, o ato de fumar costuma ocorrer quando a pessoa está sobrecarregada, com estresse ou agitada. A pausa do trabalho, o cafezinho no serviço e outros pontos da rotina passam a ser acompanhados do cigarro - que acaba associado à sensação de alívio para muitas pessoas", explica a especialista.
 
Outras questões que auxiliam na redução ou parada total de consumo do cigarro também estão associadas além da vontade, como a mudança de rotina e a adoção de válvulas de escape para situações desencadeadoras de ansiedade. "Além do acompanhamento médico, a observação dos fatores desencadeantes auxilia muito na conquista de outras estratégias, inclusive no fortalecimento emocional. Prestar atenção na própria rotina - não só nos afazeres, mas nas sensações e sentimentos experimentados - é muito importante. Pequenas ações como mudar hábitos de alimentação, alterar horários de pausas, ingerir água, evitar ambientes que estão "marcados por lembranças" do cigarro e praticar atividades físicas contribuem muito", diz.
 
Sueli ainda reforça a importância de acompanhar o tratamento e do apoio de familiares e amigos próximos. "Ao parar de fumar, é normal que a pessoa sinta os desconfortos da abstinência, sobretudo irritação e ansiedade, mas estes sintomas tendem a diminuir gradativamente. Este é outro fator importante: a pessoa focar sobre as vantagens de estar sem fumar: primeiro a saúde, claro, mas também a economia e bem-estar. O apoio das pessoas, a orientação médica adequada e a consciência que não nascemos para sermos dependentes auxiliam na mudança de comportamento e na percepção da pessoa que ela pode e deve ser mais saudável e feliz", conclui.
 
Para ajudar quem está abandonando o tabagismo, veja algumas dicas:
1- Mude o ambiente: retire maços e isqueiros dos lugares onde costuma fumar para não estimular o desejo sem perceber. Sendo essa, uma forma de fazer o cérebro perceber que há mudanças de hábitos na sua rotina.
2- Realize atividades físicas: começar a se exercitar diminui a vontade do tabaco, compensa o ganho de peso natural, e estimula a adoção de hábitos mais saudáveis no dia a dia.
3- Faça atividades que lhe tragam prazer: caminhar um pouco pela manhã, ouvir música ou ler um livro são hobbies que podem ser adotados na rotina para substituir o cigarro como fonte de prazer e satisfação.

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