05/01/2021 às 15h14min - Atualizada em 05/01/2021 às 15h14min

A BRONCA DO CRIPA

Marcos Cripa - Jornalista/ mcripa@uol.com.br
2020, QUE ANO HEIN!
 
Havia feito compromisso pessoal de escrever essa última coluna de 2020 com expectativas positivas, principalmente depois de a ciência ter desenvolvido vacinas contra o coronavírus em tempo excepcionalmente rápido, a despeito de governos negacionistas. Os fatos, no entanto, atropelam os desejos e os (des) governantes não param de chafurdar no lamaçal da política em detrimento da saúde e da economia. Já de olho em 2022, procuram desqualificar uns aos outros, esquecendo-se que ainda temos muito a enfrentar para vacinar a população e recuperar os milhões de empregos solapados em dez meses de pandemia. Por isso, só vou desejar um 2021 de esperança, que é o que mais vamos precisar. E aquele que já se esqueceu de aplaudir os coletores de lixo, moto entregadores, caminhoneiros e profissionais da saúde, volte a fazê-lo. Eles não foram importantes somente no início e durante a quarentena. São profissionais fundamentais para o nosso dia a dia. Ou será que aquele respeito da quarentena já acabou?  
 
SI, PERO NO MUCHO
 
Aguardar pacientemente o governo federal definir procedimento uniforme de vacinação para combate à Covid-19, é um caminho. E respeito quem pensa assim. Não significa, porém, que eu concorde. Por isso, dia desses encaminhei pergunta sobre o assunto ao prefeito reeleito de Poços de Caldas através do programa Boca Boa, da Web Master Rádio, apresentado por Silas Lafaiete. A resposta não poderia ter sido mais psdbista. O prefeito nada esclareceu e preferiu lavar as mãos feito Pôncio Pilatos.
Pergunta: “Diante da inexistência de uma clara política de vacinação por parte do executivo federal, o Sr. não acredita que esse é o momento de o seu governo ser propositivo e comprar a vacina diretamente do Instituto Butantan, como estão fazendo a maioria dos estados e mais de mil prefeituras?”. Acrescentei ainda que a compra poderia ser feita utilizando-se recursos do DME. Silas Lafaiete foi além e indicou R$ 20 milhões oriundos do ministério da Saúde que já estão nos caixas da prefeitura. Portanto, só faltava decisão política.
Resposta do prefeito: “Não descartamos essa hipótese, mas essa é uma responsabilidade do governo federal. Não cabe à cidade (município) correr atrás”.
Essa, como se percebe, é a resposta de quem opta por cruzar os braços e permanecer sentado numa confortável poltrona na sede do executivo municipal. Postura de quem não lidera e deixa-se ser liderado. Pintar faixas de trânsito, meios-fios (guias) e parquinhos são ações importantes, mas de simples decisão; o difícil é assumir riscos em nome do povo. Alguns agentes públicos sabem liderar, outros não. O ocupante do executivo poços-caldense enquadra-se na segunda categoria. Que Deus tenha piedade de nós.
 
EXEMPLO
 
Essa não foi a postura do prefeito de Alfenas (fartamente anunciada), que determinou a compra de 200 mil doses junto ao Instituto Butantan. Em Poços a prefeitura gastaria menos de R$ 25 milhões, o que convenhamos é insignificante diante de um problema de tamanha gravidade. Proteger o cidadão, no mais amplo sentido, é função primordial de para quem ocupa o poder público. Quando tivemos a primeira morte, causada pela Covid-19 na cidade, na segunda quinzena de abril, foi um choque para os familiares e a população. Dentro em breve atingiremos a casa dos 100 mortes e parece que já estamos nos acostumando com as perdas.
     
VACINA NÃO, BUGIGANGA SIM
 
Em âmbito nacional, é um contrassenso 46% dos brasileiros não admitirem receber a vacina chinesa Coronavac e ao mesmo tempo consomem uma infinidade de outros medicamentos produzidos na China ou industrializados no Brasil com insumos daquele país. Duas hipóteses se apresentam para entender esse comportamento: preconceito e desinformação. Há décadas, os brasileiros compram um mundo de quinquilharias produzidas no país asiático e presenteiam a família e os amigos. Agora, se dizem desconfiados com uma vacina devidamente testada e que pode salvar vidas. Bonecas Barbie e Polly falsificadas pode; vacina que salva vidas não. Chega a ser um comportamento desonesto.
 
 
QUESTÃO DE COERÊNCIA
 
Ainda na questão de saúde, não sabe a imensa maioria dos brasileiros que apenas 5% dos insumos utilizados pelas farmacêuticas no país são produzidos em território nacional; outros 95% vêm de fora e 35% deles provenientes da China. Se não admite o uso da Coronavac por questão ideológica, deixe também de consumir os demais remédios chineses ou os brasileiros que utilizam insumos chineses. Vacina, é bom ficar claro, não tem ideologia. Que venha a chinesa e todas as outras que estão sendo testadas, aprovadas, produzidas e distribuídas no mundo. A vitória contra o vírus tem de ser da humanidade e não de verdadeiras facções políticas.
 
Uma 2021 cheio de esperança a todos!

 
 



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