06/09/2021 às 15h07min - Atualizada em 06/09/2021 às 15h07min

A (in) dependência do Brasil

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google

Todo sete de setembro, o Brasil comemora (?) a independência do jugo de Portugal. Vale recordar que a ação não estabeleceu liberdade aos brasileiros que continuaram, durante décadas, sob a tutela dos patrícios portugueses. Da mesma forma, a Lei Áurea concedeu liberdade aos escravos, mas estes permaneceram presos aos seus tutores e ao sistema econômico, político e social.
É fato: não se liberta ninguém, muito menos uma nação, por leis ou decretos.
Um detento que sai do sistema prisional, ainda permanece preso ao preconceito, na impossibilidade de conseguir um emprego e ser aceito pela sociedade.
Uma pessoa, mesmo que saiba ler e escrever, pode não saber interpretar a sua própria realidade e continuará refém do mercado, do patrão e do governo em suas várias esferas. Um pássaro acostumado a viver na gaiola, quando lhe concedem a liberdade, viverá por algum tempo “preso à gaiola”, por não ter aprendido a voar com suas próprias asas e nem a buscar seu próprio sustento.
Como disse Gandhi, "a prisão não são as grades e a liberdade não é a rua. Existem homens presos nas ruas e livres na prisão".
Liberdade é um valor muito mais significativo. É possibilitar ao ser humano alcançar a sua dignidade, fruto do suor do seu rosto e do conhecimento.
 
Um país só é verdadeiramente livre, quando assegura dignidade à sua população, não pelo assistencialismo que perpetua a miséria, mas pela possibilidade de cada cidadão gerar seu próprio sustento.
Um país só é verdadeiramente livre, independente e soberano, quando muito além da própria constituição, a justiça social se pratica no cotidiano.
E a educação tem papel fundamental na liberdade. Ela possibilita o conhecimento, gerando consciência e promovendo a ação para uma vida melhor. Ela, a educação, gera a luz que permite enxergar o que acontece ao meu redor, em minha vida e na sociedade onde atuo. A partir daí, posso ser agente transformador e um cidadão em plenitude.
Contudo, é preciso ressaltar que não estamos falando tão somente da educação focada no profissional, no mercado de trabalho, que também pode nos tornar escravos do sistema. Falamos da educação que permite ao indivíduo, a reflexão, o raciocínio próprio e a capacidade consciente de escolha.
Neste amplo cenário, somos ainda um país dependente. Dependemos e muito dos governos (municipal, estadual e federal), do assistencialismo público, dos políticos e das políticas. Dependemos de uma justiça que está sentada no banco dos réus.
Alimentamos o governo pelo pagamento de altos impostos para que este possa fazer a divisão de nossa “riqueza”, cuja maior parte tem ficado, infelizmente, nas mãos da corrupção e dos custos governamentais.
Verdadeiramente, retroalimentamos o sistema para que este distribua migalhas a todos nós. Criticamos o governo e dependemos dele para tudo.
Nossa saúde depende do SUS, nossa educação depende do Enem, do Enade e do Fies. Nosso “sonho da casa própria” depende do Sistema Financeiro da Habitação e do financiamento da Caixa Federal. Dependemos de bolsas e cotas.
 
No dia 7 de setembro comemoramos a Independência, contudo, no dia-a-dia, desde 1.500, vivemos a dependência do Brasil.




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