06/08/2021 às 14h28min - Atualizada em 06/08/2021 às 14h28min

Carta ao meu pai

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google

Oi pai, tudo bem? O que o senhor anda fazendo por aí? O céu é realmente cheio de anjos tocando cítaras? Como o senhor é músico, anda acompanhando a turma com seu trombone? Tem coreto aí? Ah, como está Deus, o maestro? Manda um abraço para ele e fala que sentimos muito a sua falta pai, e da mãe também, mas se chamou vocês é porque devem estar ajudando ele nas “partituras” né? E como o senhor sempre disse, “Deus sabe o que faz, e a gente não sabe o que fala” e nem o que escreve.
Aqui na terra, estão jogando futebol (mas não tão bem) e no mesmo dia, às vezes, bate sol e faz frio, tem tornado, terremoto, tsunami... o tempo anda tão louco quanto a humanidade. Aliás, se o senhor encontrar São Pedro mande recomendações, já que ele deve ser aí, um dos “manda-chuva” do pedaço.
Como deve estar sabendo, vivemos um tempo de pandemia e o mundo parou. No Brasil, até as empresas de empregos estão desempregadas e fechando as portas. Tem gente no quintal latindo para economizar cachorro e, dias atrás, um amigo pegou dois cavalos na rua e levou para casa dele para comer a grama do jardim, já que não consegue pagar o jardineiro.
Em meio a tudo isso, eu ando por aqui tentando manter a “vaga no estacionamento”, divagando com a cabeça e caminhando devagar. Por vezes, sinto falta de uma bússola para me indicar o melhor roteiro nessa viagem e até andei buscando no Google uma luz, mas nem o túnel encontrei. Enfim, não tenho muito o que dizer. Aliás, eu não quero ser sentimental e ficar lamentando sua ausência e da mãe. Deixa isso para aquele cantor que o senhor gostava, o Altemar Dutra, “Sentimental eu sou, eu sou demais...”, que deve estar por aí também né?
Essa carta é apenas para manter contato e dizer que continuo o mesmo, como o torresmo, ou na mesma, como a lesma, e acho até que sou feliz, esperando que assim, você e a mãe e tantos da família, fiquem felizes também.
Como escrevi certa vez, existem pessoas que partem, mas nunca vão embora da gente. Fique com Deus, que ele é gente boa! Abração!




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