40 anos de um dos maiores discos do rock brasileiro

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"Cabeça Dinossauro” é amplamente reconhecido como um divisor de águas na trajetória dos Titãs e um marco definitivo do rock brasileiro. Lançado com uma sonoridade mais pesada, crua e agressiva, o álbum rompeu padrões ao assumir um discurso provocador, político e confrontador, refletido em faixas como “Polícia”, “Estado Violência” e “Bichos Escrotos”, canções que escancaravam a revolta contra o dito "sistema".

Esse posicionamento direto também tinha raízes pessoais. Na época, Arnaldo Antunes chegou a ser preso sob acusação de porte de drogas, episódio que ajudou a intensificar o tom de enfrentamento do disco, funcionando quase como uma resposta artística à repressão do período.
Em entrevista, Sérgio Britto relembrou o espírito que norteou a criação do álbum:

“Depois que a gente se refez disso, a gente realmente ligou um ‘foda-se’. Então o Cabeça é resultado disso. Eu acho que é um trabalho forte. O André, presidente da gravadora, quando ouviu a demo, teve esse olhar de ver coisas que os outros não estavam vendo. E ele deu um respaldo pra gente”, contou o músico.

O disco também trouxe faixas de forte impacto simbólico, como “Igreja”, uma crítica feroz à religião católica. Uma curiosidade é que, por discordar da letra, Arnaldo Antunes costumava sair do palco enquanto Nando Reis assumia os vocais da música, nos shows. Já o lado mais pop do álbum apareceu em canções como “Família”, “Homem Primata” e “AA UU”, esta última escolhida como trilha sonora da novela “Hipertensão”, da TV Globo.

Quatro décadas depois, a força de “Cabeça Dinossauro” permanece intacta. Toni Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto farão uma turnê comemorativa de 40 anos do álbum, reafirmando a relevância e a atualidade de uma obra que segue ecoando como um grito de resistência no rock nacional. 

 

 

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