20/07/2021 às 15h50min - Atualizada em 20/07/2021 às 15h50min

Amigos por nada

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google

Sou como milhões: conheço centenas de pessoas, converso habitualmente com dezenas delas e tenho poucos muito amigos. Sim, porque amizade não é uma questão quantitativa, nem pode ser. Ninguém tem centena de amigos. A maioria conta seus amigos pelos dedos das mãos. Só Roberto Carlos é que, em uma antiga canção, afirmava querer ter um milhão de amigos... que comprassem seus discos e acabou conseguindo.
Amigo de verdade não tem a ver com querer. Se alguém disser “quero ser seu amigo”, pronto, acabou a amizade, até porque cheira falsidade. Amizade não é algo que se escolhe, não tem a ver com desejo, não exige esforço, nem experiência. Não exige currículo, carta de apresentação, nem bons antecedentes.
Os amigos que tenho foram frutos de encontros fortuitos e que, sabe-se lá porque, continuaram fazendo parte da minha existência ao longo do tempo. Tornamo-nos amigos realmente sem querer. Não conheço ninguém que possua uma “caderneta de amigos” e, por favor, não me venham com esta história de amigos virtuais. Não desqualifiquem a palavra. Amigo é quem compartilhou com a gente, em corpo presente, alegrias e tristezas. Aquele que sabe da nossa história, que conhece o espelho de nossa alma e frequenta nosso coração. Derramou lágrimas ao nosso lado sem dizer uma única palavra e gargalhou junto por uma piada infame até ficar com dor no pescoço. Amigo mesmo até se esquece da data do nosso aniversário, mas lembra sempre de torcer diariamente para que a gente seja feliz. Não precisa estar geograficamente próximo, pois amigo de verdade reside permanentemente no quarto das nossas lembranças, no sótão das nossas memórias. Não precisa telefonar para gente a todo instante, pois sabe que a ligação é permanente. Amigos nunca vão embora, pois a proximidade não é física, nem temporal.
Amizade lembra algo genético, sem ser familiar. Parece muito com transfusão, mas não tem nada a ver com laços sanguíneos. Os amigos que tenho são pessoas fantásticas e, por isto mesmo, possuem muitos defeitos. Um deles é o mesmo meu: na maioria das vezes eles não dizem para mim os defeitos que tenho. Não é falta de sinceridade. Amigo não precisa ser sempre sincero, nem ser sempre mentiroso. Não precisa declarar que gosta da gente. Não necessita testemunhar, nem provar sua amizade. A amizade não precisa de justificativas. Ela existe por nada e apesar de tudo.





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