Os alto-falantes das Igrejas, principalmente nas pequenas cidades, sonorizavam o anoitecer, solenemente.
Aquele era um momento singular de cada fim de dia.
Pairava no ar um silêncio espontâneo, introspectivo.
Um instante a olhar-se pra dentro.
Algo fazia-se divino no anoitecer, na quietude de cada pensamento, na mudez de cada oração.
Não era tristeza o que se sentia, embora fosse triste aquele interregno entre o dia e a noite.
De repente, ao receber por escrito o "boa noite" de uma amiga, lembrei-me da gratidão que o anoitecer murmurava nos corações de todos nós.
Das cidades pequenas de todos nós.
Nas doces lembranças de todos nós.
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