12/07/2021 às 15h16min - Atualizada em 12/07/2021 às 15h16min

Bons tempos

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google
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Bons tempos aqueles quando as pessoas colocavam cadeiras nas calçadas e, ao final da tarde, se reuniam para contar causos e celebrar a vida.
Tempos em que as músicas possuíam letras que nos faziam refletir e sentir as mais diferentes emoções, quando a poesia rimava com melodia, tempo de Beatles, dos festivais da Record, do iê-iê-iê, bossa-nova, tropicália.
Tempos de remédios caseiros para se curar todos os males, dos farmacêuticos atenciosos nos balcões de madeira, quando os médicos examinavam os pacientes com a sensibilidade das mãos e os exames vinham depois.
Bons tempos aqueles quando se morria junto da família e não nos leitos frios de hospitais, de UTI´s.
Quando a natureza era parceira natural do homem, fruto da coexistência pacífica e harmônica como velhos amigos, seres de um único planeta Terra.
Quando não se mandavam abraços virtuais, pois abraço era a junção de braços e de corpos, resultado da emoção que não se digitaliza.
Tempos de figurinhas e gibis nas portas dos cinemas, bola de gude, bola de meia nos campos sem grama, dos pés sujos na lama, dos pés de goiaba, jabuticaba e de pitanga nos fundos dos quintais, do tomate da horta, do chuchu da horta, das alfaces das hortas.
Tempos sem muros, sem cerca elétricas, sem condomínios fechados, quando celular era palavra que lembrava célula, que lembrava gente, quando se encontrava gente que se sabia gente.
Quando andar, caminhar, correr, não eram exigências de receitas médicas, nem de fórmulas estéticas, nem de padrões de beleza.
Tempos dos casamentos que Deus uniu e o homem não separou.
Tempos de cidadãos de espírito público e que por isto eram reconhecidos nas ruas e não nas manchetes policiais e judiciais em rádios, televisões, jornais e redes sociais.
Bons tempos aqueles quando não se olhava para trás e por tudo ter que obrigatoriamente dizer como hoje: bons tempos aqueles.





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