01/12/2020 às 16h11min - Atualizada em 01/12/2020 às 16h11min

A BRONCA DO CRIPA

Marcos Cripa - Jornalista/ mcripa@uol.com.br
TUDO NOVO, DE NOVO
 
Existe o momento da crítica e o momento do reconhecimento positivo: parabéns prefeito Sérgio Azevedo pela reeleição; 30.674 pessoas acreditaram na sua plataforma e nos resultados dos anos da sua permanência à frente do executivo. Nesse momento de incertezas políticas e econômicas no país, onde a grande maioria dos eleitores está sem inspiração, não me surpreendeu a reeleição. Foi natural diante do atual clima político. O momento é considerado histórico porque você é o primeiro a se reeleger no cargo em Poços de Caldas. Histórica também poderá ser sua trajetória política caso, no segundo mandato, o olhar do seu governo venha a ser dirigido para questões que são tidas como mais distantes do conjunto da população, a exemplo da violência contra as crianças e contra as mulheres, mas que influenciam socialmente a vida de cada morador da cidade.
 
BOM SERIA UM NOVO OLHAR PARA A CIDADE
 
Outro problema muito sério a ser enfrentado na área da cidadania e direitos humanos diz respeito às pessoas em situação de rua ou moradores de rua. Quanto ao fato de o número de abstenções, 39.248, ter sido superior aos seus votos, e os demais candidatos juntos terem angariados 36.708 votos, a partir de agora é questão secundária, de menor importância. Você foi eleito e ponto. Porém, deve servir de balizador de que 2/3 dos eleitores não se manifestaram em apoio ao prefeito reeleito. Torço para que, sem as amarras de um governo olhando para uma possível reeleição, a caneta do executivo seja colocada em defesa dos menos favorecidos. A construção de uma história política não se faz medindo apenas os quilômetros de ruas asfaltadas em determinado governo, mas sobretudo pelos programas que acolhem os cidadãos.
  
O POVO É MESMO SÁBIO
 
Surpreendente foi o índice de renovação na Câmara Municipal. Dos 15 vereadores da atual legislatura, apenas quatro permaneceram na função. Sabia-se do conservadorismo e da inépcia de grande parte dos integrantes do legislativo atual, mas poucas pessoas acreditavam que as mudanças fossem tão significativas numericamente. À esquerda, ao centro, e à direita foram defenestrados vereadores reeleitos em várias legislaturas e novatos que não conseguiram se firmar no cenário político. Os onze novos que assumem em janeiro próximo, foram guindados ao cargo pelo sentimento de mudança do eleitor que espera, no mínimo, dedicação ao trabalho, coisa que se viu muito pouco na atual legislatura, excetuando-se as raríssimas exceções.   
 
ABORDAGEM SOCIAL
 
O que a composição da Câmara traz de novo é a presença de representação de grupos aparentemente comprometidos com as causas sociais e que poderão dar visibilidade a questões como o abandono de homens, mulheres e crianças em situação de rua ou moradores de rua. Segundo dados da secretaria de Promoção Social do município, aproximadamente 250 pessoas encontram-se nessas situações e são atendidas por diversos programas em casas de passagens, albergues e abrigos. São cidadãos em situação de vulnerabilidade pelos mais diversos motivos: desentendimento familiar, alcoolismo, uso excessivo de drogas das mais variadas ordens. Alguns, como já citei nesse mesmo espaço no início deste ano, estão se transformando em zumbis nos cruzamentos das principais avenidas da cidade consumidos pelo álcool ou pela droga, quando não pelos dois. Possivelmente, alguns já não terão recuperação devido o estado de degradação mental que se encontram. Mas merecem e têm o direito de serem cuidados pelo município, a exemplo de tantos outros que ainda alimentam sonhos escrevendo pequenos capítulos de livro em plena rua.
 
DEBATE E CONSCIENTIZAÇÃO
 
É inegável que suas presenças incomodam a sociedade que, em parte, os vê como uma ferida exposta, “aquilo” que não deu certo, “aquilo” que deve ser escondido. O prefeito e os integrantes da Câmara Municipal que tomam posse em janeiro, devem se concentrar nos imensos problemas que a cidade apresenta, mas têm obrigação de atuar para atender de forma cidadã aqueles que foram jogados ou optaram por morar na rua. Caso tenhamos mesmo vereadores ou vereadoras comprometidos com as causas sociais, esta é uma das primeiras pautas a ser abraçadas e levadas para debate e deliberação na Câmara. Por outro lado, o cidadão precisa se sensibilizar e ter consciência de que este, como tantos outros, não é um problema meramente do poder público, mas do conjunto da sociedade. Podemos, por agora, começar por debater conscientemente esse problema com os novos atores políticos na Câmara Municipal. Seria um bom começo.



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