No rabo do vento

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Há muitos anos, lá pras bandas da divisa de Minas com Goiás,
um amigo foi assassinado na minha frente com um tiro.
Triste recordação.
Era fim de tarde.
Eu me lembro que queria transformar-me num urubu,
agarrar no rabo do vento e voar na escuridão da noite até chegar em casa.
Eu morava em Belo Horizonte.
Era longe, a distância me angustiava...
As pesquisas minerais davam-se pelos sertões afora, ou a dentro...

Hoje, não raras vezes, penso em viajar no rabo do vento de volta aos sertões.
Não aos bravios sertões, mas aos românticos recantos da contemplação.
Às cachoeiras e aos grotões sombreados.
Escolher um galho de árvore e fazer dele meu cajado,
equilíbrio para meus passos lentos nas veredas,
e nas pedras escorregadias das cascatas,
pelas sendas enfim, que desenham os destinos.
E, de repente, encontrar-me comigo mesmo,
na compreensão do que tenha sido minha trajetória.
Às vezes, eu penso em deixar o burburinho e buscar o silêncio!

 

 

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FONTE: E-mail: [email protected]
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