O impacto da testosterona no tratamento do Alzheimer

02/04/2025 15h27 - Atualizado há 22 horas

 

Estudos mostram a relação entre hormônios sexuais e neuroproteção e as novas possibilidades no combate à demência

A Doença de Alzheimer (DA) é uma das principais causas de demência no mundo, afetando milhões de pessoas. A complexidade de sua etiopatologia abrange fatores hereditários, genéticos, envelhecimento e nutrição. Recentemente, os estudos têm se concentrado em como os hormônios sexuais, especialmente a testosterona, podem influenciar o desenvolvimento e a progressão da doença. Este artigo explora os impactos da testosterona no tratamento da DA, à luz de estudos que investigam a privação hormonal e a terapia de reposição. 

A DA é caracterizada pela degeneração neuronal e pela formação de placas de beta-amiloide (Aß) no cérebro, levando a déficits cognitivos e à perda de memória. Estudos em modelos animais têm demonstrado que a testosterona exerce um efeito neuroprotetor, reduzindo a produção de beta-amiloide, melhorando a sinalização sináptica e combatendo a morte neuronal. Esses achados têm gerado interesse crescente na terapia com testosterona como uma possível abordagem para mitigar os efeitos da doença.

Uma pesquisa abrangente realizada nas bases de dados MEDLINE e Scopus analisou a literatura existente sobre "terapia de privação de andrógenos" e "terapia com testosterona" em relação à demência e Alzheimer. Foram considerados estudos realizados nos últimos 20 anos que apresentaram baixo risco de viés, incluindo ensaios clínicos randomizados e estudos caso-controle.

“A doença de Alzheimer é neurodegenerativa responsável por quase metade de todos os casos de demência no mundo, onde vem aumentando progressivamente, com mais de 50 milhões de pessoas afetadas. A terapia de reposição hormonal com testosterona é segura e eficaz. Estudos mostram que níveis adequados de testosterona melhoram o funcionamento das células cerebrais e diminuem o estresse oxidativo. É como se ela fortalecesse as defesas do cérebro, especialmente nas áreas ligadas à memória e à aprendizagem. Por isso, cuidar da saúde hormonal ao longo da vida pode ser um importante aliado na prevenção do Alzheimer”, revela Izabelle de Mello Gindri (foto), CEO da Bio meds Brasil, PhD em Engenharia Biomédica pela The University of Texas at Dallas, USA e Mestra em Química pela Universidade Federal de Santa Maria.

Os resultados dos estudos mostraram que 12 artigos abordaram o efeito da terapia de privação de andrógenos (ADT) na DA, enquanto outros 17 focaram na terapia com testosterona. Homens com câncer de próstata que estavam sob ADT apresentaram uma incidência significativamente maior de demência e DA. Em contrapartida, a administração de testosterona em homens hipogonadais com DA e comprometimento cognitivo revelou resultados positivos em alguns estudos, sugerindo que a reposição hormonal pode melhorar a memória e a função cognitiva.

A compreensão aprofundada da relação entre hormônios sexuais e neuroproteção pode abrir novas perspectivas no tratamento da DA, oferecendo esperança a milhões de pessoas afetadas por essa condição devastadora.

“O acompanhamento médico desse tratamento é muito importante para a melhora da qualidade de vida através do controle exato de dosagens de forma individualizada. Os benefícios incluem melhora da saúde sexual, óssea, muscular, emocional e melhora da atividade cardíaca”, finaliza Izabelle Gindri.


FONTE: FONTE: Thaís Teófilo - [email protected] - FOTOS: Divulgação
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