18/06/2021 às 15h15min - Atualizada em 18/06/2021 às 15h15min

7 experiências para viver a cultura de Salta

FONTE E FOTOS: El Mensajero Periódico Turístico S.A.
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Não é por nada que a chamam de "A Linda". Salta é um oásis cultural no norte da Argentina, repleta de costumes locais, gastronomia e paisagens imponentes. A 200 anos da morte de seu máximo herói Martín Miguel de Güemes, percorremos as experiências imperdíveis para entrar no coração salteño. Da música, passando por pratos típicos, estes são alguns imperdíveis para embeber-se de sua cultura
 
Linda por sua gente, pela magia que se desprende de suas coloridas montanhas e infinitas paisagens. Linda porque apaixona com suas tradições, criações culinárias, arquitetura colonial e terras carregadas de história. Linda porque é o apelido adjetivado mais acertado que poderia se encontrar para ilustrar a essência de Salta. A origem real de seu nome esconde teorias aborígenes, vocábulos em outras línguas e até hipóteses de obstáculos lacustres que deviam ser saltados para evitá-los. Além das lendas, algo é certo: a oitava província mais povoada da Argentina é dona de tesouros que fazem o país ficar bem em qualquer ponto do mapa.
 
Viajar a Salta é uma passagem garantida a terras ancestrais decoradas com tons de vermelho, montanhas, vulcões, desertos, cavernas, vales e selvas. Os 155.488 quilômetros quadrados que percorre o território são uma Meca do turismo regional e atraem aventureiros de todos os lugares do mundo. Mas, além de suas paisagens saídas de um conto, a verdadeira joia se esconde por trás de algo ainda mais profundo e peculiar: sua fascinante cultura. E a melhor maneira de vivê-la é através destas sete experiências para conectar com as raízes salteñas.
 
Ver o desfile de gauchos de Güemes
 
A cada 17 de junho, Salta se veste com suas melhores cores para honrar um dos personagens mais queridos da província, o General Martín Miguel de Güemes. Este comandante entrou para a história por sua participação fundamental durante a Guerra da Independência da Argentina, entre 1810 e 1824. Ele liderou a Guerra Gaucha, uma luta de guerrilhas composta por gauchos conhecidos como "Los Infernales". E, entre suas tantas façanhas, deteve invasões do exército espanhol que mais tarde decantaram na tão esperada Independência. Então sobram motivos para ele ser considerado um herói nacional.
Justamente por isso, os salteños decidem lhe fazer uma homenagem no dia de seu falecimento com desfiles que resumem a cultura do norte com perfeição: vestimentas, gastronomia, música, dança e um tributo à pátria. Os gauchos passeiam pelas ruas da capital montados a cavalo e vestidos com os clássicos ponchos vermelhos, meias bordadas e botas de couro. O icônico desfile conta com autoridades nacionais e provinciais que formam filas para dar uma saudação patriótica apresentando suas armas em frente ao Palco Central. Na véspera de cada 17 de junho os moradores se reúnem para armar fogueiras ao redor do monumento que o recorda, compartilhando cânticos e relatos que carregam anos de história.
 
Ir a uma pena
 
As famosas peñas salteñas têm vida própria e levantam de seus lugares até os mais tímidos. Os pés acompanham o ritmo, a música folklórica se sente em cada parte do corpo e o que resta é simplesmente curtir o espetáculo.
Por sua grande fama que já atravessa fronteiras, podem-se presenciar praticamente em qualquer lugar de Salta. Em sua capital, a rua Balcarce faz as honras de proporcionar uma autêntica noite: dança ao vivo, degustação de pratos típicos e muitíssima música. Além disso, o passeio pela rua de pedestres - a poucos quarteirões da Praça principal - é um plano em si mesmo.
A peña mais conhecida é a de Balderrama; foi a primeira a abrir há mais de 50 anos e concentrou em suas paredes os mais memoráveis bailes. Mercedes Sosa, a maior expoente da música folklórica na América Latina, imortalizou o lugar em uma de suas canções: "Lucero, solito, brote del alba, dónde iremos a parar si se apaga Balderrama".
 
Degustar suas delícias gastronômicas
 
Porque uma viagem à Argentina não está completa se o paladar não acompanha. E Salta tem todos os componentes para torná-la parte do itinerário. A resposta está nas preparações locais que deleitam as papilas gustativas de quem se anima a experimentar as receitas salteñas: barriga cheia, coração contente.
O prato estrela do país, a empanada, encontra sua melhor versão entre recheios e dobras do norte. Qual é a particularidade deste clássico argentino na região? A impecável combinação de seus ingredientes: carne cortada com a faca, cebola bem picadinha, batata, pimentão doce, cominho, pimenta moída, ovo cozido e cebolinha. A mistura de sabores em sua característica forma de meia-lua é um caminho de ida culinário que conquista todos os comensais.
Além das empanadas, outros imperdíveis gastronômicos são o locro (um tradicional cozido pré-colombiano à base de milho, abóbora e feijão), os tamales e as humitas. Para completar o circuito, Salta é um destino ideal para os amantes do enoturismo. Sua uva insígnia, a Torrontés, harmoniza perfeitamente com toda a oferta gastronômica e é colhida em paisagens de altura espetaculares.
 
Visitar os museus da cidade
 
Percorrer a história de Salta é possível graças aos museus que foram criados na cidade. Cada um deles conserva uma parte da cronologia local, com o objetivo de preservar a cultura de povos originários e promover o conhecimento da história que a província viveu.
O mais famoso é o Museu de Arqueologia de Alta Montanha, dedicado à antropologia andina. O motivo de sua popularidade se deve à obra que contém: os Meninos de Llullaillaco, uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos anos. Em 1999 foram encontrados três incas mumificados perfeitamente conservados após mais de 500 anos, junto com diferentes objetos que datam de épocas passadas.
O Cabildo de Salta, de mais de 200 anos de antiguidade, alberga o Museu Histórico do Norte, perfeito para mergulhar na história argentina e na sua Independência. No coração da cidade também pode-se visitar a casa museu do General Martín Miguel de Güemes, onde ele viveu com a família. Em 2010 o Governo de Salta adquiriu a propriedade, a renovou e a deixou pronta para abrir as portas.
 
Conhecer as feiras de artesanato
 
Cestas, tecidos, cerâmica, artesanato em madeira, ponchos. Técnicas milenares que passaram de geração em geração e se transformaram em parte da tradição do Norte. Excelente qualidade, materiais, elementos naturais e uma destreza inegável. O artesanato em Salta é parte do patrimônio cultural, se encontra em cada lugar da cidade e povoados e se transformaram no (auto) presente perfeito como souvenir de viagem.
Onde fazer uma parada obrigatória na capital? No Mercado Artesanal e na Feira da Praça Güemes. O primeiro é uma casa colonial que abriu suas portas em 1968 e se consagrou como sede que reúne de instrumentos musicais à gastronomia. Além disso, os produtos têm um Certificado de Autenticidade, garantindo a qualidade e a origem de cada um deles. Nos fins de semana também funciona a Feira da Praça Güemes, uma festa de cores e texturas na que participam mais de 100 artesãos.
 
Viver salta das alturas
 
Um trem a 4.220 metros de altura. Montanhas para apreciar a capital de cima. A rota do vinho mais alta do mundo. Viajar pela província tem seu encanto, nós já sabemos, mas conhecê-la do alto potencializa a experiência ainda mais.
Um dos lugares mais visitados de Salta tem fama por ser uma amostra de engenharia impressionante do século passado. Ah, e por estar a apenas 4.220 metros sobre o nível do mar. O Trem das Nuvens nasceu em 1972 e atualmente percorre 216 quilômetros através de túneis, viadutos, pontes e uma paisagem que deslumbra com tons de vermelho. É o terceiro trem mais alto do mundo e um ponto turístico que não pode faltar no itinerário viajante. As lendas locais o reconhecem como o intermediário entre a terra e os sonhos, responsável de que a Puna se funda com o céu.
Em pleno centro de Salta Capital também está a opção de se aproximar das nuvens, desta vez com um teleférico que finaliza seu trajeto no Cerro San Bernardo, declarado Reserva Nacional Municipal. A recompensa? Vistas de toda a cidade de cima, em um cartão-postal que termina de se pintar com as montanhas no fundo.
E, para combinar luxo com altura, nada melhor do que os vinhos salteños. A Rota do Vinho da província é a mais alta do planeta, situada entre 1750 e 3050 metros sobre o nível do mar. As condições climáticas e as propriedades da terra transformam a zona em um lugar ideal para a colheita da uva. A 189 quilômetros da cidade de Salta, Cafayate se apresenta como o destino perfeito para o enoturismo, onde a cepa Torrontés - insígnia do norte - deleita especialistas no assunto e conquista os corações de visitantes de todo o mundo.
 
Descobrir suas icônicas e coloridas igrejas
 
As cúpulas e fachadas das igrejas sempre são parte do circuito turístico. E a cidade de Salta não é a exceção; muito pelo contrário. Porque, além do significado próprio de cada uma delas, as igrejas salteñas estão carregadas de cores que captam o olho treinado de qualquer fotógrafo.
A Igreja de São Francisco, declarada Monumento Histórico Nacional, é parada obrigatória no percurso. A combinação de tonalidades amarelas e vermelhas, junto com seu incrível campanário de 54 metros - o mais alto da América do Sul -, constituem a foto clássica da cidade. Para contrastar com essas cores, Nossa Senhora da Candelária de la Viña também ganha seu lugar no pódio pelos mesmos motivos: sua torre campanário de 44 metros e um porte que combina azul com vermelho e amarelo.
Por último, a Catedral de Salta não só também faz parte do espetáculo de cores do exterior, mas também contém em seu interior o Panteão das Glórias do Norte da República, um espaço onde se encontram os restos de personagens emblemáticos da história de Salta. Entre eles, o General Martín Miguel de Güemes.
 
 
 

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