25/05/2021 às 15h02min - Atualizada em 25/05/2021 às 15h02min

Parceria universitária

Marcos Cripa - Jornalista/ mcripa@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google
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Ultrapassamos, em Poços de Caldas, a marca dos 500 mortos em consequência da covid-19. E a taxa de ocupação de leitos nas UTIs se mantêm em 100%, o que significa que não existe atendimento especializado para todos os infectados. Atendimentos improvisados começam a fazer parte do dia a dia do atendimento de saúde. A rotina, por mais que se queira tranquilizar as pessoas, é tensa e confusa. Não fosse a compra de equipamentos e medicamentos realizados pela PUC Minas, fruto da parceria da Faculdade de Medicina com a secretaria de Saúde, a situação em relação à covid seria de completo caos e o sistema já teria entrado em colapso. A dificuldade que o serviço público demonstra para aquisição de insumos é superada pela agilidade da Universidade. Felizmente a prefeitura, por enquanto, consegue surfar na onda dessa parceria e do compromisso social da universidade e de algumas empresas... por enquanto.
 
O pior ainda está por vir
 
O desastre sanitário causado pela covid tem sua face exposta na contagem diária dos mortos e infectados. Porém, uma outra séria consequência vem ganhando preocupação junto à comunidade científica mundial: o índice de mortos e sequelados da covid-19 em consequência de fibrose pulmonar, questões neurológicas, questões cardiorrespiratórias e emocionais que acometem pacientes pós-covid. Ou seja, pessoas que morrem ou ficam gravemente sequeladas após a internação. São mortes ainda não atribuídas à covid, mas que podem ser incorporadas à conta da doença num futuro próximo. Desde o início da pandemia, somente em Poços de Caldas 9.258 casos foram confirmados, 7.918 dos quais constam como pacientes recuperados, segundo a secretaria de Saúde. O que não se sabe, pelo menos até o momento, é o total de sequelados graves em consequência da doença. Em muitas cidades brasileiras estão sendo implantados Centro de Reabilitação Pós-Covid, nos quais são oferecidos tratamentos em diversas especialidades visando a recuperação de pessoas acometidas pela doença. Estudos do Hospital das Clínicas em São Paulo indicam que aproximadamente 40% das pessoas recuperadas de Covid-19 permanecem com alguma sequela após alta hospitalar. Poços de Caldas está dando os primeiros passos para a consolidação desses centros pós-covid. Essa, seguramente, vai ser uma outra luta que vai se juntar à já existente de combate ao coronavírus. 
 
Quadro desalentador
 
O quadro é assustador, preocupante ao extremo e de desânimo. Mas o pior é que uma parcela significativa da população se comporta como se tudo estivesse absolutamente dentro da normalidade; o movimento de pessoas circulando na área central da cidade é um exemplo disso, bem como é alta a taxa de ocupação de inúmeros estabelecimentos comerciais. A morte, que causava impacto e a todos chocava em março de 2020, incorporou-se ao dia a dia das pessoas. O que mais ouço de entrevistados é que as mortes pela covid-19 estão se transformando em números corriqueiros, o que é de se lamentar. Superar a doença em conjunto deixou de ser, para muitos, um ato de superação coletiva para se transformar em ato de sobrevivência individual. Nem melhor, nem pior, o ser humano está atravessando a crise sanitária como ele sempre se comportou: de forma individualista. Evito me referir ao chefe do executivo da Nação porque dele nada se pode esperar. Suas atitudes beiram a altura dos seres invertebrados.
 
Rolando Lero
 
A política local tem feito lembrar personagens antológicos que marcaram época em novelas e programas humorísticos da televisão brasileira. Recentemente falamos aqui de Tonho da Lua, personagem criado pela novelista Ivani Ribeiro. Na última semana, ao ouvir de políticos explicações sobre graves problemas da cidade, lembrei-me do “estudante” Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo, que foi criada e apresentada pelo comediante Chico Anysio. Interpretado pelo ator Rogério Cardoso, Rolando Lero discorria de forma interminável sobre qualquer assunto. No texto eram ditas bobagens e mais bobagens e Rogério Cardoso dava vida ao engraçadíssimo personagem que tinha as seguintes palavras como bordão principal: “Captei Vossa Mensagem amado guru”, dirigindo-se ao professor Raimundo (Chico Anysio), quando este lhe dava uma “dica”. Os políticos locais têm procurado imitar Rolando Lero, derramando longas falas sobre variados assuntos que não dominam. A diferença é que, não possuem a capacidade artística do humorista Rogério Cardoso, nem Chico Anysio para lhes servir de “escada”.
 
“Captei amado guru”
 
Se era para, pela quarta vez consecutiva, aditar o contrato emergencial com a Circullare (empresa que opera, por enquanto, o sistema de transporte coletivo), por que a prefeitura não o fez com a devida antecedência? Se era sabido que a Circullare aceitaria negociar com a prefeitura e a prefeitura desejava negociar com a Circullare, por que, então, tratar os usuários como bobos? Depois ficam aí a elucubrar explicações que não se explicam, bem ao estilo Rolando Lero.
 
Antes tarde...
 
Depois de mais de um ano de crise sanitária e econômica, aqueles que perderam o emprego em Poços de Caldas têm agora a perspectiva de receber subsídio da prefeitura (leia-se DME) no valor de R$ 300,00 por seis meses. Outra medida também importante será a destinação de R$ 70,00 a título de vale-alimentação aos alunos da rede pública. Em entrevista coletiva, o prefeito falou dessas e outras medidas, porém não esclareceu quem pode receber o subsídio. Disse que os detalhes serão definidos durante essa semana. Até para dar notícia boa o atual governo municipal se atrapalha. Criou expectativa que pode deixar muita gente frustrada. Parafraseando Tite, técnico da seleção brasileira de futebol, penso que o governo “fala muito” e age pouco. É um constante blábláblá confuso. Mas, tomara que dê certo. Antes tarde do que nunca.


 















 

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