19/04/2021 às 14h39min - Atualizada em 19/04/2021 às 14h39min

ASI e Academia de Letras: por um lugar ao sol

Por Wiliam de Oliveira - jornalista
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google
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Sobre a saída da ASI e da APCL da Casa dos Conselhos

Como membro da Academia Poços-caldense de Letras e da Associação Sulmineira de Imprensa, como escritor e jornalista, me sinto na obrigação de manifestar meu pensamento em relação à recente desocupação das referidas entidades da Casa dos Conselhos no Mercado Municipal. Não entrarei no mérito das questões jurídicas adotadas pela prefeitura, pois ao que me foi informado, estão corretas. Me permitam entrar no campo simbólico do que essas ações representam.
Ao longo do tempo, tanto a Academia Poços-caldense de Letras (APCL), quanto a Associação Sulmineira de Imprensa (ASI), entraram em um processo degenerativo, em que pese o esforço das diretorias em mantê-las respirando com a ajuda de aparelhos. Contudo, o jornalismo e a literatura, falo isso com pesar já não gozam de tanto prestígio (e poder, se essa é a palavra), quanto na época em que foram criadas. Vivemos em uma sociedade cada vez mais utilitarista e entidades sem fins lucrativos e com reais subjetividades em seus objetivos já não parecem ser o foco das atenções, mesmo se consideramos suas importâncias históricas, pois, aos poucos, vamos enterrando o passado. Falo isso com conhecimento de causa, pois fui presidente da ASI em 2002 e pouco pude realizar, não só pela não participação e apatia dos associados, como o pouco reconhecimento social, situações que já ocorriam naquela oportunidade e que foram agravadas ao longo dos anos. Hoje, a inexistência de um espaço físico para as entidades é consequência da ausência do espaço simbólico na sociedade.  Não, não é culpa de ninguém, ou, ao mesmo tempo, é de todos nós que fomos perdendo o significado do coletivo, nos agarrando à sobrevivência cotidiana que nos levou à individualidade e ao egoísmo. Somos todos responsáveis pela desvalorização da cultura, já que são em menor número, os que compram um livro, frequentam teatros, valorizam os artistas da terra. Hoje, mais que antes, com a pandemia, o artista tem de ir aonde o povo está (em casa), fazendo lives que em sua imensa maioria, não existe couvert, nem apoios publicitários. As próprias ações do poder público de valorização do artista local, tanto as presenciais, quanto as virtuais de hoje, não contam com a audiência significativa. E conhecendo os artistas, se não houver público, não existe muito significado no dinheiro, mesmo que extremamente necessário na emergência em que vivemos. Não existem cigarras alegres, sem formigas, como também existiriam muito mais formigas tristes, se não houvessem as cigarras. Contudo, importante que se diga, as entidades precisam primeiro se reencontrar, para depois encontrarem um lugar ao sol.
Sigamos. É pau, é pedra, é o fim do caminho ou será que o sol vai brilhar amanhã?
 
Por Wiliam de Oliveira - jornalista


















 

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